Na Maringá que ostenta a terceira maior frota do Estado, com mais de 307 mil veículos, houve estabilização após dois anos seguidos de queda nas vendas de veículos zero quilômetro. No primeiro bimestre deste ano, foram 1.917 veículos novos contra 1.927 no mesmo período de 2016. O resultado garantiu a cidade como campeã de novos emplacamentos no interior, à frente de Londrina, e segunda no Paraná, atrás apenas de Curitiba.

O fim da queda nas vendas reflete uma esperança, uma "luz no fim do túnel". Porém, esse túnel parece longe de acabar, segundo as concessionárias.

Aos 19 anos, o universitário Arthur Rochildt ganhou de presente um carro novo dos pais depois de tirar a carteira de habilitação. Com o esportivo Volkswagen Golf, ele comemorou a independência para andar pelas ruas de Maringá. O cheiro do carro novo está no ar. E o do novo momento na economia?

A economista do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá (Codem), Iasmine da Mata acredita que existem indicativos de melhora. O município, por exemplo, fechou janeiro e fevereiro com saldo positivo de contratações. Se as reformas trabalhistas e da previdência assustam os trabalhadores com carteira assinada, animam os empresários, segundo Iasmine. Assim como a taxa de juros mais baixa, a 12,25%, e a expectativa de uma inflação de 4%.

A resposta definitiva para um 2017 melhor está na política, que vem afetando diretamente a confiança de empresários e da população em geral. "A estabilidade na política, a partir do momento que o Brasil entrar no trilho, a Lava Jato eliminar os políticos corruptos, eu acredito que o País volta ao crescimento normal", avalia o diretor de operações da Noma Motors, concessionária Toyota em Maringá, Primo Francischini.

Tendo um nicho de clientes de maior poder aquisitivo, a Noma acompanhou os efeitos negativos no setor de automóveis, mas ainda conseguiu fechar 2016 com um acréscimo de cerca de 30% nas vendas. No caso das marcas de carros populares, as negociações tiveram uma retração maior. No entanto, houve reação neste primeiro bimestre de 2017, como aponta o gerente de vendas da Somaco Volkwagen, Carlos Alberto Lang.

"Voltamos a registrar procura e fluxo na loja. Tivemos um acréscimo de 10% em janeiro, em relação ao ano passado, e fevereiro estabilizou. Queremos manter esses 10% a mais em todo o ano e, se puder, até mais, porque a procura está acontecendo", avalia.

Seminovos

A volta da busca por veículos novos deixou a venda de usados mais instável. Em dezembro de 2016, o Detran registrou 7.483 transmissões de usados em Maringá, enquanto o número caiu para 5.525 em fevereiro deste ano. As empresas aguardam a superação da crise político-econômica para voltar aos bons anos de carro novo na garagem dos clientes e não das concessionárias.


SEM PLACA. Arthur Rochildt tirou seu Golf zero na quinta-feira: independência. —FOTO: JOÃO PAULO SANTOS

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