Em 1964, um Ford Mustang aparecia nas telonas, na perseguição a James Bond no filme "Goldfinger". O conversível foi um dos carros sonhados por tantos adolescentes nas décadas de 1960 e 1970, quando, sem dinheiro no bolso, não sabiam se algum dia poderiam comprar um "possante". Porém, passados anos, alguns desses rapazes – sortudos – têm coleções de clássicos como Ford Maverick e Chevrolet Malibu.

O médico Neudair Sanches, 65 anos, foi um desses adolescentes. Hoje, possui uma coleção com cerca de 30 carros, entre eles o xodó Ford Landau 1976, o primeiro que comprou. Ele é o presidente do Clube do Carro Antigo de Maringá, que reúne aproximadamente 70 associados em reuniões mensais.

Sanches aprendeu a dirigir com apenas 9 anos e pegou do pai o amor pelos carros. Como forma de preservar a trajetória pessoal e dos País, decidiu iniciar seu acervo há 30 anos, em uma época em que o combustível era escasso no Brasil e vários veículos em bom estado ficavam parados.

"É uma forma de preservar a história porque senão ela morre. Tudo aquilo que você passou na infância, na adolescência, pode morrer e cada veículo traz uma história. Minha família, por exemplo, já teve um carro que foi do pai do Emerson Fitipaldi", conta.

A partilha dessas histórias é justamente o que une os associados do Clube do Carro Antigo de Maringá, do qual também faz parte o empresário Laurindo Cordiolli, de 80 anos. O gosto pelos clássicos é tanto que ele até construiu um museu pessoal.

Negócio familiar

Laurindo Cordiolli cresceu no sítio, mas já previa a importância dos automóveis no mundo moderno. Virou caminhoneiro e, aos 40 anos, abriu uma empresa de transportes. Hoje com uma frota de 200 modernos veículos, consegue manter o hobby de restaurar veículos antigos, tendo cerca de 50 itens, de lambretas a caminhões.

O seu mais velho é uma caminhonete Ford, ano 1919, mas é um jipe 1961 o "xodó". "Eu gosto de guardar tudo que é antigo, eu acho que a gente não devia vender nada. Por isso, de tudo que eu comprei, nunca vendi algum." Cordiolli inclusive foi quem arrematou o Ford Corcell de dom Jaime Luiz Coelho, ex-arcebispo de Maringá.

Assim como a transportadora, os carros antigos viraram negócio de família, que reúne também os filhos do empresário. Laurindo ainda viaja por várias cidades para expor a coleção e estará em Poços de Caldas (MG) no mês de abril. "A gente leva os carros, fica junto dos amigos, é uma festa."

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O Clube do Carro Antigo de Maringá surgiu em dezembro de 2004 por iniciativa de um grupo de amigos antigomobilistas. Atualmente, prepara-se para seu encontro anual marcado para agosto, que reúne cerca de 700 expositores de Maringá
e outras cidades.
Mais informações, pelo telefone 99994-2457


COLECIONADOR. Laurindo Cordiolli e parte de sua coleção: "Guardo tudo que é antigo". —FOTO: JC FRAGOSO

Colecionadores 'sofrem' no bolso para restaurar veículos

Lidar com carros antigos é prazeroso para os amantes, mas também caro e trabalhoso, segundo relataram integrantes do Clube do Carro Antigo de Maringá. Para restaurar um carro da década de 1960, por exemplo, o custo é de aproximadamente R$ 50 mil, que pode subir para mais de R$ 100 mil se o veículo for mais velho.

Neudair Sanches conta que o objetivo do grupo é também trocar experiências sobre serviços mecânicos, já que há dificuldade para encontrar peças e mão de obra especializada.

"Muitas peças a gente acaba tendo que fazer, principalmente da lataria. Tem ainda como importar. O Brasil tem muito carro americano e os americanos são muito ligados com isso, preservam muito, então conseguimos comprar", explica o presidente do clube.

O empresário Laurindo Cordiolli reclama dos preços cobrados. Para trocar o escapamento de seu Maverick, ele desembolsou R$ 3,3 mil. Para um carro atual, o serviço não passaria de R$ 500. /// PA


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