A centenária marca inglesa de motos Royal Enfield tem como lema "Made Like a Gun" (feito como uma arma), o que remete ao sentido de poder. Mas os três modelos que estão chegando ao Brasil diretamente da Índia estão mais para um calmo mantra. É no país oriental que os produtos da empresa são feitos com exclusividade desde a década de 90. Aqui, a moto de entrada é a Bullet 500, que tem preço sugerido de R$ 18.900.

Com motores monocilíndricos de 499 cm³ (o da Continental GT tem mudanças na posição da biela no virabrequim, o que elevou a capacidade volumétrica para 535 cm³), a Bullet e Classic são para quem quer passear sem pressa.

Essas motos não se entregam na primeira marcha, que é muito curta. Para arrancar, deve-se liberar bastante a embreagem. É preciso se acostumar para não deixar o motor "morrer" nas saídas

Na segunda marcha, em subida de giro, a Bullet e a Classic mostram o bom torque de 4,5 mkgf e seguem até a terceira e a quarta. É aí que surge uma vibração excessiva quando se tenta elevar a rotação.

O tremelique é tão excessivo que o piloto perde um pouco do contato com o manete de aceleração. Mas basta passar para a quinta que as motos se transformam. As vibrações diminuem muito e pilotar esses modelos passa a ser gostoso.

Como o torque segura as motos em quinta a até uns 50 km/h, o ideal é passar correndo pela terceira e quarta e só andar de segunda e quinta para ser feliz. Já a suspensão traseira, com modesto curso de 80 mm, é uma grata surpresa. Ela segura bem os impactos e, junto da dianteira de 130 mm, deixa as motos boas de curva.

Sobre a posição de pilotagem, em ambas é boa, mas o banco com amortecimento de mola e mais largo e o guidom mais baixo tornam a Classic (R$ 19.900) a mais legal de pilotar na gama da marca no País.

Na Cafe Racer da linha (Continental GT, a R$ 23 mil), a posição de guiar é bem inclinada, com as pedaleiras recuadas, mas o guidom não é tão baixo quanto nas demais. Porém, a pedaleira de freio fica muito alta e tem acesso difícil. O assento fino, típico do segmento, não chega a ser um problema.

A GT tem 29 cv, 2 cv a mais que as "irmãs". Essa ligeira potência extra faz diferença na hora de acelerar e também nas vibrações, já que o motor precisa girar um pouco menos para o velocímetro subir.

O desenho dessas motos agrada, especialmente da Classic e da Continental GT. Há falhas de acabamento, mas o estilo deve atrair quem for à única loja da marca no País, em Moema, na zona sul de São Paulo.


PILOTAGEM. Posição de guiar da Continental GT é bem inclinada, com as pedaleiras recuadas. —FOTO: DIVULGAÇÃO


Participe e comente