A frota de veículos de Maringá cresceu mais de 173% entre 2000 e este ano. Com esse aumento, a cidade já conta com média de 1,34 habitante por veículo - ou 7,4 automotores para cada grupo de dez moradores. E a tendência geral é de que o número de veículos por morador continue aumentando.

Segundo estimativa do economista do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá (Codem), João Ricardo Tonin, a população da cidade chegará a 412,5 mil em 2017. Com relação à frota, o número chegou, em fevereiro, a 307.608, conforme o Departamento de Trânsito (Detran), ante os 306 mil do ano passado.

"O movimento de aquisição de carros aconteceu principalmente entre 2013 e 2014, em um cenário de elevada oferta de crédito com juros baixos, e também com baixa taxa de desemprego", pontua o economista do Codem.

Apesar da crise econômica, a tendência é que existam cada vez mais veículos rodando. Tonin explica que, com os juros reduzidos e a retomada de empregos, um movimento nesse sentido deve acontecer com maior ênfase no segundo semestre.

A estudante universitária Laryssa Cunha, 21, espera por melhorias no trânsito, apesar de saber que em Maringá a realidade é menos caótica do que a de metrópoles. Ela costuma trafegar pela Avenida Mandacaru, Avenida São Paulo e Herval para ir à faculdade, e se programa para sair de casa antes das 18 horas para não chegar atrasada à aula, que começa por volta das 19 horas. "Se eu saio às 18 horas fico um tempo a mais no congestionamento".

Para ela, além das soluções em planejamentos, necessários por causa do volume cada vez maior de carros, os motoristas precisam ser mais bem-educados no trânsito, respeitando à sinalização e agindo com gentileza.

"Ontem um rapaz bateu na traseira do meu carro e fugiu. O prejuízo e dor de cabeça vão ficar para mim, pois terei de procurar nos estabelecimentos próximos imagens do ocorrido. Talvez, poderia haver mais câmeras em avenidas estratégicas", considera.

Planejamento

Quanto maior a população e, principalmente, o número de veículos, mais estressante o trajeto. Se o controle do número de habitantes e da quantidade de automóveis circulando é complexo, a melhoria da qualidade do trânsito se centra em planejamentos que visem a maior eficiência dos sistemas viários e do transporte coletivo.

Segundo o secretário de Mobilidade Urbana Gilberto Purpur, uma das medidas adotadas para melhorar a fluidez do trânsito foi a readequação do sistema semafórico nas vias binárias que contam com a onda verde.

"O binário estava regulado para 50 quilômetros por hora, mas o pelotão não conseguia se deslocar nesse tempo e perdia o benefício da onda verde. Reajustamos o tempo para a real velocidade de deslocamento dos veículos, que é de 40 quilômetros por hora, mas a máxima na pista continua sendo 50", informa o secretário.

De acordo com Purpur, em algumas regiões de maior fluxo serão eliminados alguns estacionamentos das ruas, para a criação da terceira faixa. Também haverá investimentos em mais ligações entre bairros com a construção de ruas e avenidas, o que diminuirá o itinerário dos moradores.

No entanto, para que na cidade o trânsito melhore, faz-se necessário um projeto global e que inclua a região metropolitana. Nesse sentido, um plano da prefeitura é ligar Maringá a Sarandi a partir da Avenida Horácio Raccanello, diz ele. O secretário acrescenta ainda que os projetos de ligação estão alinhados com a continuação de ciclovias. Além disso, admite a necessidade de se investir cada vez mais em transporte coletivo.

Por enquanto, Maringá vive a execução do projeto do Terminal Intermodal. "Tudo isso (o trânsito) tem um limite. Não podemos priorizar o veículo com a frota crescente. Chegaremos a um ponto em que soluções com vias não surtirão mais efeito. Vamos ter que partir para valorizar o transporte coletivo", diz.

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