ABS, ESP, EBD, TCS, ACC... Cada vez mais, essas siglas fazem parte do recheio tecnológico dos carros. São recursos eletrônicos que, entre outras funções, mantêm o veículo sob controle em curvas, garantem a aderência ao solo, evitam que a carroceria deslize em declives e previnem o travamento das rodas em frenagens bruscas. Mas esses sistemas podem apresentar falhas, com reflexos em outros, num efeito cascata.

Cada dispositivo é gerenciado por um módulo, tipo de unidade eletrônica de comando. E todos são interligados em rede, o que permite "conversarem" entre si. De acordo com o engenheiro mecânico, Rubens Venosa, uma pane no ABS ou no módulo do controle de estabilidade pode resultar em corte de potência do motor: "Caso o sistema detecte algum risco à segurança, pode entrar em safe mode (modo de segurança)", diz. "O carro funciona, mas apenas o suficiente para permitir que se chegue a uma oficina."

De acordo com ele, o carro poderia "entender" que um dos pneus é diferente dos demais pela ausência do sensor de pressão, por exemplo. "Isso pode ser feito em meia hora de trabalho, com uma linha a mais de dados na programação do sistema", explica o engenheiro.

O motorista fica sabendo que algo está errado por meio de luzes ou mensagens no painel. Quando isso ocorre, é preciso levar o carro a uma autorizada ou oficina de confiança, que terá condições de fazer uma análise precisa do problema.

"Um técnico usa um equipamento de diagnóstico para fazer uma varredura e descobrir onde está a falha", explica o consultor técnico da Audi, Lothar Werninghaus. "Se os cabos estiverem em ordem, a unidade de comando afetada será substituída."

Não há nenhum tipo de manutenção preventiva para os sistemas eletrônicos que afaste a possibilidade de ocorrência de problemas. Porém, algumas panes são causadas por fatores que podem ser evitados pelo motorista. O principal é a instalação de acessórios por profissionais despreparados.

"É o caso de sistema de som com potência maior que a suportada pela parte elétrica, da instalação de película para os vidros em que há vazamento de água e oxidação de unidades de comando ou da ligação incorreta de acessórios", diz Werninghaus.

Participe e comente