Um tem motor na frente, enquanto no outro ele está atrás. Um tem porta-malas na traseira e no outro, o pequeno compartimento é na dianteira. O primeiro é inglês e o segundo, alemão. Jaguar e Porsche utilizam receitas bem diferentes na concepção de seus esportivos.

Cada uma dessas marcas representa uma escola. A Jaguar não economiza na cilindrada e a filosofia da Porsche, de fazer "mais com menos", inclui motores menores. Reunimos a versão SVR do F-Type SVR e a GTS do 911 não para um comparativo convencional, mas para mostrar a diferença entre essas duas escolas - até porque a distância entre as tabelas desses carros é grande. Enquanto o britânico tem preço sugerido de R$ 883.112, o do alemão é de R$ 694 mil.

Para mover seu esportivo, a Jaguar optou por um enorme 5.0 V8 supercharger (compressor mecânico). O Porsche traz um 3.0 boxer biturbo, de seis cilindros. Em termos de potência, a diferença é de 125 cv a favor do britânico. São 575 cv, ante 450 cv do alemão.

No entanto, basta colocar os dois esportivos para acelerar e essa vantagem do V8 começa a se diluir. Ambos são ferozes e podem ir de 0 a 100 km/h nos mesmos 3,7 segundos, de acordo com dados das fábricas.

Aqui aparece o fator "mais com menos". Um dos trunfos do 911 é ser 235 kg mais leve: seu peso é de 1.470 kg, ante os 1.705 kg do F-Type.

Na prática, o Porsche leva seu motorista ao êxtase com certa austeridade. O seis-cilindros boxer (deitado) é eficiente e silencioso, mesmo com o modo de condução esportivo ativado. Já o berro do V8 do Jaguar aumenta à medida que se pressiona o acelerador, e não economiza "estouros" nas trocas de marcha, especialmente nas reduções. Acelerar é como um evento que deve ser celebrado e compartilhado com todos na rua.

E com fartura de gasolina: de acordo com dados do Inmetro, o F-Type faz média de 5,7 km/l na cidade e 8,6 km/l na estrada. Com motor menor, o 911 é comedido também nesse item: faz, em média, 8,2 km/l em uso urbano e 11 km/l em rodovias.

Uma grande diferença entre as duas marcas pode ser vista na cabine de seus carros. O Jaguar esbanja luxo e seu acabamento mescla fibra de carbono e revestimento de camurça no painel, console e volante. As saídas de ar só emergem do painel quando o sistema de climatização é acionado.

Perto dele, o 911 até parece um carro simples. Na unidade avaliada do Porsche o volante não tinha nem comandos de som, algo difícil de aceitar em um carro de quase R$ 700 mil.

O GTS é a síntese do esportivo. Exceto pelas aletas para troca de marchas, o único controle no volante era o seletor que indica o nível de esportividade (do normal ao agressivo).

Os dois modelos têm aerofólios móveis, teclas para reforçar o som do motor e bancos envolventes com ajustes elétricos inclusive dos apoios laterais. No Jaguar os comandos, instalados na porta, dão um aspecto mais elegante.

O Jaguar tem a configuração clássica dos esportivos de dois lugares, com porta-malas (310 litros) acessível pela traseira. No 911, além dos assentos da frente há duas acomodações minúsculas atrás. Mas na prática o espaço é tratado pela própria Porsche como um bagageiro, para 260 litros.

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