Desfilar ao volante de um carro antigo sempre desperta olhares. Quanto mais conservado for o veículo, maior costuma ser a admiração. Se o modelo tiver placas pretas, então, é praticamente um atestado de que o veículo está impecável.

Placa preta confere ao automóvel o almejado status de carro de coleção. Para fazer jus a ela, o veículo deve ter pelo menos 30 anos de fabricação e no mínimo 80% de sua originalidade preservada.

O trâmite de obtenção custa cerca de R$ 600, incluindo o valor cobrado pelo clube de carro antigo (para a vistoria e emissão do certificado de originalidade) e as taxas do Detran (para emissão do novo documento e confecção do par de placas pretas).

O primeiro passo é procurar um clube de antigos que tenha corpo técnico qualificado para determinar o índice de originalidade do veículo. De acordo com o presidente da Federação Brasileira de Veículos Antigos (FBVA), Roberto Suga, a entidade tem 203 clubes afiliados espalhados pelo País.

Embora não haja uma tabela de preços para a vistoria, Suga informa que os clubes cobram de R$ 200 a R$ 250 pela análise do carro e emissão do certificado de originalidade.

Caso seja aprovado na inspeção (que deve ser presencial), o clube emite o certificado de originalidade, que é o documento a ser apresentado no Detran. O órgão de trânsito registrará o novo enquadramento do prontuário do automóvel.

No novo documento, o carro muda de categoria - para veículo de coleção. As placas pretas, parte visível dessa mudança, custam R$ 128,68 (o par). O documento sai por R$ 197,89.

Mercado

De acordo com Suga, a concessão da placa preta por si só não é garantia de valorização do veículo. "A valorização é consequência da qualidade do carro, e não da placa", diz.

O proprietário da JS Autos Antigos, localizada na zona sul de São Paulo, João Siciliano, compartilha dessa opinião. "Tem carro sem placa preta que é muito valorizado", afirma. No entanto, o comerciante admite que esse diferencial pode ser um argumento de venda. "É um item a mais, como um veículo que tenha pneus de faixa branca", exemplifica.

O presidente da FBVA diz que lamenta a existência no mercado do que ele chama de "oportunistas". Suga classifica assim pessoas que passaram a "vender placas sem critério", mesmo para veículos que não atendam às regras de originalidade. Ele afirma que há quem cobre mais de R$ 1.000 pelas placas.

Suga afirma que um dos objetivos da FBVA é obter isenção de inspeção veicular (prevista para começar até o final do ano que vem, em todo o Brasil) para esses veículos. Além disso, a entidade vai pedir liberação de circulação de carros com placa preta em dias de rodízio - na capital paulista.


DIFERENCIAL. Identificação é atestado de originalidade, mas não garante valorização. — DIVULGAÇÃO


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