Em meio ao caos instaurado na cidade de São Paulo pela recente greve dos caminhoneiros, um posto de abastecimento se destacou por conseguir se manter em funcionamento durante quase todo o período da paralisação. Graças a uma operação conjunta com a Polícia Militar, o Posto Sunset, localizado na esquina da Rua Heitor Penteado com a Pereira Leite, no Sumarezinho, na Zona Oeste da capital, recebeu quatro caminhões-tanque com 30 mil litros de combustível cada. O suficiente para abastecer 1.600 carros policiais e 3.200 veículos particulares, estes com no máximo 20 litros cada, por dia.

Não foi apenas isso que chamou a atenção dos clientes, no entanto. A operação também foi elogiada pela organização, pelo pouco transtorno que causou ao trânsito da região e pelas informações que prestava em tempo real aos clientes por meio do WhatsApp corporativo da empresa. Sem falar na gentileza de sua direção, que serviu pão de queijo e café para quem estava na fila, que chegou a 600 carros na Rua Pereira Leite. "Nos comprometemos a fechar o acesso do posto pela Rua Heitor Penteado para que não prejudicasse o trânsito e para que a fila fosse respeitada", conta o seu proprietário, Filippe Rafael.

Segundo ele, isso foi feito por consideração aos clientes, que chegavam a passar de 4h a 6h dentro dos seus carros. "Para isso, distribuímos senhas (para os 60 mais próximos da entrada) para que não houvesse nenhum tipo de problema quanto aos ‘espertinhos’, que aproveitavam segundos de distração ou até mesmo um cochilo para furar a fila", explica.

A operação começou a tomar forma no dia 25 de maio, quando Rafael ligou para um coronel da PM, explicando que, em condições normais, seu posto abastece o 23º e o 4º Batalhão da corporação. "Perguntei se seria possível ele fornecer uma escolta para buscar uma carreta de combustível na sede da Ipiranga", lembra. "Sugeri, inclusive, que fosse feito primeiro o abastecimento de veículos oficiais. Ele concordou e mais tarde liberou o abastecimento de veículos particulares."

Devido à escassez e à dificuldade de conseguir as cargas de combustível foi preciso estabelecer algumas regras. Entre elas, o máximo de 20 litros por abastecimento, proibição total de galões e prioridade para veículos oficiais devidamente caracterizados como tal. A operação também foi exigindo alguns aperfeiçoamentos. "Quando a carga de um caminhão acabava, os que estavam na fila se recusavam a sair, acreditando que logo chegaria mais produto", conta Rafael. "Interrompíamos o serviço preocupados com os que ali estavam, porque realmente não tínhamos certeza da chegada de outro caminhão. Explicávamos, mas de nada adiantava."

Muitos motoristas viraram noites na fila e pediam notícias a todo instante. Assim, surgiu a ideia de colocar o WhatsApp corporativo à disposição de todos os clientes da fila e dos que estavam de passagem. "Respondemos todas as dúvidas e os atualizamos com qualquer novidade que tivéssemos", diz Rafael. "Enviamos boletins frequentes sobre as previsões de saída e recebimento da carreta, produtos disponíveis, preços, regras. E o retorno foi ótimo. Recebemos muitos elogios."


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