Nem só de chardonnay, a variedade branca por excelência, vive rótulos pouco apreciados pelos brasileiros: a Goethe, uva cultivada na Serra Catarinense – e ainda pouco conhecida - proporciona vinhos aromáticos e interessantes

O vinho branco ainda é frequentador modesto da taça brasileira por muitas razões, a começar pela associação injusta entre a bebida e a qualidade inferior. Talvez esse conceito tenha alguma relação com os vinhos brancos de qualidade duvidosa que inundaram o mercado nativo na década de 1980, liderado pelo Liebfraulmilch, o famoso rótulo da garrafa azul. Mesmo assim, a produção interna de vinhos brancos e de lotes importados tem alguma expressão, apesar da comparação com rótulos tintos ser inaceitável em volume.

As variedades utilizadas na produção de vinhos brancos são muitas, mas a chardonnay lidera. Considerada a 'rainha das brancas', a variedade proporciona vinhos aromáticos com boas perspectivas de guarda. Mas uma uva ainda pouco apreciada mas que aos poucos ganha o apreço dos iniciados na 'arte de Baco', especialmente aquela faixa estreita de consumidores de vinho branco, se insinua no mercado a partir da Serra Catarinense. A Goethe chegou ao Brasil no século 19 junto com o imigrante Benedito Marengo.

Também chamada Rogers 1, é um híbrido de uvas européias(87% de Moscato de Hamburgo, Moscato de Alexandria e Schiava Grossa) e americanas (13%) com alta resistência fitossanitária. A fácil adaptação aos solos brasileiros logo tornou a uva comum nas colônias italianas. Hoje, Urussanga, na Serra Catarinense, é referência no plantio da variedade. O município já ostentou o título de "capital catarinense do vinho". Os vinhos produzidos na região receberam diferentes prêmios em exposições em todo o Brasil e no exterior

Devido à qualidade, tipicidade e identidade, o vinho da uva Goethe da região de Urussanga recebeu em Novembro de 2011 o registro IP, tornando-se a primeira Indicação Geográfica de Santa Catarina. Todas as características relacionadas a esse tipo de reconhecimento estão presentes. A primeira das características relacionadas à Indicação Geográfica é a tipicidade. Essa região é reconhecida como verdadeiro terroir, devido a sua íntima relação com as condições específicas de clima-solos. (com informações do site www.valesdauvagoethe.com.br)

Champagne com gelo virou moda

Adicionar gelo ao champagne já foi visto como grande heresia. O procedimento desequilibra a bebida desconstruindo suas virtudes mais expressivas, entre elas a perlage (borbulhas). Mas a indústria descobriu a fórmula para satisfazer o consumidor que adiciona gelo à bebida sem se importar com as conseqüências. Na verdade, a iniciativa do setor buscar ampliar a base de consumo, estacionada e pouco freqüentada por jovens. Tudo começou em Saint Tropez em 2011. No famoso balneário francês, freqüentado por ricos e famosos, observadores da Moet Chandon notaram o consumo de champagne com gelo e decidiram investir num produto específico para atender esse apelo. Concluíram que o ideal seria uma bebida mais concentrada e doce, de forma que o gelo não interferisse na qualidade. A ideia era preservar todas as virtudes do produto convencional. O champagne ice, como o segmento ficou conhecido no mercado, logo se tornou um hit do verão e diversas outras casas francesas (e algumas brasileiras) reforçaram a moda. Para se ter a experiência perfeita, recomenda-se que o espumante seja previamente resfriado a aproximadamente 8 graus, que seja servido em uma taça de vinho tinto, e que sejam adicionadas de três a cinco pedras de gelo. Quanto mais densa e maior a pedra, melhor (sendo o gelo de posto a pior opção).

Vinho com extrato de canabis

Vinícola californiana decidiu agradar um segmento bem específico de consumidores e apresentou ao mercado rótulo em cuja elaboração entra canabidiol, o princípio ativo da maconha.O CannaWine é um blend das variedades cariñena e garnacha com acréscimo de 50mg de extrato de Cannabis Sativa Segundo a empresa, todos os ingredientes são provenientes de culturas orgânicas, sem uso de agrotóxicos. Além disso, a vinícola enfatiza que diferentemente da maconha, o CannaWine não proporciona efeitos alucinógenos, e sim, traz os benefícios medicinais da cannabis.

Guia mapeia vinhos do Brasil

A sexta edição do "Guia Adega – Vinhos do Brasil 2016-2017″ já está disponível. Publicado pela Inner Editora, que também edita a revista Adega, o livro traça um panorama da atual produção de vinhos do Brasil ao reunir em uma criteriosa compilação as safras que estarão no mercado entre 2016 e 2017. Para produção desta edição, a equipe de degustadores da revista Adega avaliou às cegas 533 vinhos, de 65 vinícolas localizadas nas diversas regiões vitivinicultoras do país, incluindo Vale dos Vinhedos, Campanha Gaúcha, Campos de Cima, Serra Catarinense, Paraná, Vale do São Francisco e Minas Gerais. O guia traz notas detalhadas das degustações, pontuações dos vinhos e sugestões de harmonizações dos rótulos com pratos variados. Também é fonte obrigatória de consulta em viagens enoturísticas pelo Brasil e também em pesquisas de compra tanto via internet quanto em lojas especializadas.


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