Dominar as terminologias usadas no mundo do vinho pode ajudá-lo a entender um pouco mais sobre a bebida, mas não o tornará, necessariamente, um conhecedor.

Contudo, dominar o vocabulário usado com tanta eloquência em degustações palestras, quando a maioria dos pretensos experts se esquece de explicar questões

básicas para um mínimo de compreensão do fascinante universo do vinho, pode fazê-lo se interessar ainda mais pela bebida.

Importante, no entanto, é não decorar os significados de palavras recorrentes nesse mundinho e usá-las com a arrogância dos enochatos, um tipo particular de 'conhecedores' que lembram leitores de orelhas

de livros. Os que se enquadram nessa categoria não perdem a oportunidade de apresentar seus conhecimentos, mas quando confrontados com um refinamento qualquer da 'inteligência enológica', babam na taça.

ABRIR - diz-se que o vinho "está abrindo" (ou "abriu") quando está havendo (ou houve) crescimento de suas características (em especial do aroma), com um certo tempo após a abertura da garrafa

ACIDEZ - Sensação de frescor agradável provocada pelos ácidos do vinho (cítrico, tartárico, málico, lático, succínico) e que resulta em salivação

ADSTRIGENTE - com muito tanino, que produz a sensação de aspereza (semelhante à sentida ao comer-se uma banana verde); o mesmo que tânico ou duro

AROMA - odor emanado pelo vinho. O primário é proveniente da uva. O secundário é resultante da vinificação. O terciário origina-se do envelhecimento e é denominado buquê

ASSEMBLAGE - mistura de vinhos diferentes; o mesmo que corte

BOUCHONNÉE (francês - bouchon = rolha) - com odor de rolha (defeito)

BUQUÊ - (do francês bouquet) - aroma complexo, também denominado aroma terciário, resultante do envelhecimento.

CAVA - nome dos espumantes espanhóis

CHAPTALIZAÇÃO (do francês, "Chaptalization") - adição de açúcar durante a fermentação (proibida em alguns países), técnica proposta pelo francês Chaptal.

CORPO - sensação tátil do vinho à boca, que lhe dá peso (sensação de "boca cheia") e resulta do seu alto teor de extrato seco

FECHADO - jovem, recém-engarrafado, ou recém-aberto e que
ainda não demonstra toda a sua potencialidade

FOXADO (do inglês "foxed") - odor e gosto de pelo de raposa, típico de uvas americanas, como as da espécie Vitis labrusca

FORTIFICADO - ao qual é adicionado aguardente vínica, como o vinho do Porto, o Madeira, o Jerez, o Marsala, o Banyuls e outros
JOVEM - vinho geralmente frutado, pouco tânico com acidez agradável e que não se presta ao envelhecimento (Ex: vinhos brancos em geral, espumantes e a maioria dos vinhos brasileiros); pode também significar vinho recém-fabricado, que pode e deve envelhecer

MOSTO - líquido resultante da prensagem das uvas; suco; sumo

ORGANOLÉPTICO(a) - sensorial, que sensibiliza os sentidos. As características organolépticas de um vinho são as suas sensações olfatórias, gustativas e táteis, percebidas durante a sua degustação

OXIDADO - que sofreu oxidação; envelhecido além do suportável; decomposto na cor (do dourado ao castanho para os brancos e do tijolo ao marrom para os tintos), no aroma (adocicado, cetônico etc.) e no sabor (desagradável e apagado); para os vinhos brancos tem o mesmo significado que madeirizado

PERSISTÊNCIA - sensação do gosto deixado pelo vinho na boca (retrogosto) após ser deglutido ou cuspido. Quanto melhor o vinho, maior o tempo de persistência, do retrogosto: 2 a 3 segundos nos curtos, 4 a 6 segundos nos médios e de 6 a 8 nos longos

TÂNICO - que tem muito tanino ou no qual o tanino sobressai; o mesmo que adstringente e duro

TANINO - substância existente na uva e que confere a adstringência ao vinho

TERROIR (francês) - literalmente designa o "terreno" onde se localiza um vinhedo, mas o seu sentido é muito mais amplo. Na realidade, designa as características do solo, do microclima e do ecossistema do local, responsáveis pela qualidade do vinhedo e, consequentemente, pela qualidade do vinho que ele originará.

ROLHA - diz-se que o vinho tem odor e/ou gosto de rolha quando apresenta aroma desagradável passado por rolha contaminada pela Armillaria mella (fungo parasita da casca da árvore com a qual é feita a rolha, o sobreiro)

CRU (francês) - termo derivado do verbo "coître" (crescer) de múltiplos significados, dos quais os mais importantes são os que seguem. Na região de Bordeaux, "cru" tem o mesmo significado de "terroir" ou "château", isto é, uma propriedade específica de um único produtor. Na sub-região do Médoc, os melhores vinhos são classificados em cinco níveis de "cru" (Premiers Crus, Deuxièmes Crus, etc.), seguidos dos "Crus Bourgeois". Nas outras sub-regiões bordalesas, como por exemplo, Saint-Emilion, os melhores vinhos classificam-se em "Premiers Grand Crus Classés" e "Grand Crus Classés". Na região da Bourgone, "cru" significa o mesmo que "climat", isto é, uma comuna ou região delimitada com vinhedos de vários produtores que produzem vinhos semelhantes ou "domaine", uma única propriedade. Os melhores vinhos da Borgonha são designados "grand cru", seguidos dos "premier cru".

DECANTER (inglês) - decantador; frasco de vidro usado para decantar vinhos que possuem sedimento formado durante o envelhecimento. É também usado para arejar ("respirar") o vinho antes de servi-lo

BOTRITIZADO - vinho de sobremesa doce licoroso, feito com uvas botritizadas, isto é, contaminadas com o fungo Botrytis cinerea. Em poucas regiões do mundo de microclima específico como Sauternes na França, esse fungo, ao invés de destruir as uvas, perfura-lhes as cascas grãos, provocando a saída de água e concentrando o açúcar. As uvas assim contaminadas ficam com aspecto de uvas passas e/ou apodrecidas, daí o nome podridão nobre ("pourriture noble",no francês, e noble rot, no inglês)

RETROGOSTO ou AROMA DE BOCA - sensação gustativo-olfatória final deixada pelo vinho na boca, após ser deglutido ou cuspido. Ela é percebida por meio da aspiração do ar pela boca, o que provoca a sua passagem pela nasofaringe (comunicação entre a boca e o nariz) e a consequente estimulação dos receptores olfatórios no nariz. Alguns estudiosos preferem utilizar a palavra retrogosto para as sensações desagradáveis percebidas ao final da degustação

MOUSSEUX - Na França, fora da região de Champagne, os espumantes são chamados de "vins crémants" (vinhos cremosos) ou "vins mousseux" (vinhos espumantes). Os "crémants" são produzidos pelo método champenoise e os "mousseux", pelo Charmat, e admitem uma variedade maior de cepas. Por exemplo, o Crémant d'Alsace utiliza, principalmente, as variedades Pinot Blanc e Auxerrois; já, no Loire, outra região vinícola importante da França, os melhores "crémants" são feitos com uvas Chenin Blanc. São muito apreciados e consumidos na França, pelo preço e qualidade que apresentam.


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