O frango é alimento recorrente na mesa do brasileiro. Aos domingos, é indispensável assado. Entre amigos, a galinhada é prato 'requintado' servido sem pompa. A passarinho é petisco fácil em qualquer boteco. Aos pedaços ou inteiro, o frango aceita uma infinidade de temperos para se apresentar saboroso como acompanhamento ou prato principal. Barato, é proteína largamente exportada pelo Brasil para mais de 150 países. Os árabes e os chineses são os maiores compradores dos 4 milhões de toneladas da carne exportada em 2016 (a produção alcançou quase 13 milhões de toneladas). Anualmente, cada brasileiro consome quase 43 quilos de frango (31 quilos de carne bovina). Mas a história da ave é velha, como conta o professor Ricardo Maranhão no livro 'Frango – Histórias e Gastronomia':

"Depois de muito debate os paleontologistas confirmaram que o nosso frango é realmente uma ave e não um descendente dos dinossauros. Mas até chegar a ser o franguinho ou a galinha doméstica atual, milhares de anos se passaram. Segundo Darwin, a galinha que cisca em nossos quintais derivou-se da galinha vermelha das florestas da Índia e da Indochina. A domesticação começou por volta do oitavo milênio a.C, com os não-nômades que passaram a ficar presos à terra, cultivando, cuidando dos mais velhos e criando filhos e animais.

Tudo indica que, nesses primeiros tempos, frangos e galinhas começaram como uma espécie de lixeiros ou coletores de restos, insetos e vermes deixados pelos humanos em clareiras nos arredores das primeiras aldeias. Depois, seus habitantes perceberam a existência de rebanhos e famílias galináceas e a possibilidade de usar os seus ovos como alimento. Isso teria ocorrido entre a Tailândia e o Vietnã, por volta de 6000.a.C. Na China há evidências de domesticação de aves desde 1.400 a.C com o frango passando a fazer parte de uma refeição valorizada.

Por volta do século IV a.C, o frango chegou ao mundo antigo clássico, entrando na Grécia e depois na Itália. O frango passou a fazer parte das refeições romanas em dias de festa ou quando a família recebia visitas. Isso porque no dia a dia, a ave perambulava nos quintais e até dentro de casa com a importante missão de produzir ovos. Os romanos se enriqueceram e aí o frango passou a frequentar suas mesas habitualmente. Devidamente banhado e perfumado – as salas de banho faziam parte das casas ricas – o romano dirigia à cena, o jantar, momento da maior importância: as duas refeições anteriores, o iantaculum matinal e o pranzo do final da manhã eram feitos durante o período de atividades, o negotium, enquanto a cena, deixada cada vez mais para o final da tarde, era o momento do otium. Devido ao intenso comércio do império com todas as suas colônias e muitos outros países, a riqueza de ingredientes das mesas desses banquetes era extensa e de grande diversidade. (....) No meio de toda essa abundância, o frango mantinha sua presença, como a mais consumida das aves. Acompanhada de múltiplos temperos, a carne se sofisticou a partir dos romanos".

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