À Suzana Balbo, enóloga argentina, é atribuída a fama de ter 'domado' a torrontés (lê-se torrontê), variedade típica encontrada no país. Considerada a primeira mulher a receber o diploma de bacharel em enologia pela reputada Universidade de Mendonza, região onde chegou em 1999 para transformar uma área onde se plantava alface em batata num próspero vinhedo. Até então, os vinhos produzidos com a torrontés eram modestos, de pouca expressão aromática e pobre em sabores. "Rompi com sistemas reproduzidos há tempos e o que conquistei foi revolucionário", resume a enóloga sobre o patamar em que colocou os vinhos elaborados com a variedade (a linha Crios de sua vinícola, a Dominio del Plata, traz no rótulo as mãos da enóloga e de seus dois filhos, Ana e José. "São a minha melhor colheita", afirma.

A torrontés é cultivada em todas as regiões do país, desde Salta até Rio Negro, e está se afirmando como assinatura do vinho branco argentino. Existem três tipos: o mendocino e o sanjuanino, mais aptos para o consumo em fresco, e o riojano, o mais cultivado e aquele que expressa as melhores qualidades para a elaboração de vinhos finos, muito frutados e ao mesmo tempo secos. O Valle de Cafayate, em Salta, bem ao norte do país, está ganhando uma forte reputação no mundo graças ao cultivo desta variedade. O microclima especial, altitude (3 mil metros) e a escassez de chuva permitem desenvolvimento excepcional da videira. Os vinhos de Cafayate são de forte personalidade, frutados, saborosos e prolongados em boca.

A variedade é resultado do cruzamento genético da uva preta e moscatel de Alejandria ou uva da Itália. A identificação desta nova cepa foi um processo complexo e acidentado. No início, a torrontés conviveu misturada com outras cepas, sem que os viticultores notassem que era um vinhedo diferente. Quando os viticultores a encontraram entre as vinhas cuyanas não tinham uma categoria onde enquadrá-la. Do ponto de vista teórico, essa cepa não possuía nem descrição ampelográfica (estudi científico da videira) nem nome. Simplesmente não existia. Na viticultura argentina o nome 'torrontés' começou a ser utilizado em meados do século XIX. O registro mais antigo que se encontra é de 1860.

Acredita-se que a variedade nasceu em Mendoza. A causa aparente está na iniciativa que tiveram os jesuítas, que introduziram o cultivo da uva da Itália na vinha do Colégio de Nossa Senhora da Boa Viagem e, a partir daí, o plantio se propagou pela região. Nestas condições, a cepa moscatel de Alejandria se expandiu por boa parte do espaço vitivinícola do Chile e da Argentina, mas foi Mendoza seu principal polo de interesse.

Portanto, sua integração genética com a uva preta pôde ter acontecido em qualquer zona desta região, tendo Mendoza maiores oportunidades. Além disso, o relatório mais antigo que até o momento menciona a existência da Torrontés também corresponde a Mendoza. Das três variantes de Torrontés (mendocina, sanjuanina e riojana), a mais importante é a torrontés riojana, pois é a única uva criolla originada na América, de alto valor enológico e relevância comercial que conseguiu um notável reconhecimento no mercado, constituindo a segunda exportação de vinhos brancos da Argentina. Com informações do site www.winesofargentina.org

 

 

 

 

 

 

 

 

Jarra promete preservar vinho após garrafa aberta
"Como preservar um vinho depois de aberta a garrafa com o consumo parcial do conteúdo?", é pergunta recorrente. Essencialmente, a resposta é simples: retire o oxigênio com o uso de alguns utensílios disponíveis no mercado. Mas não é bem assim. Pelo menos é o que pensa uma equipe de especialista que jura poder dobrar o tempo de vida de um vinho aberto. O Savino Wine Savin Carafe tem nome comprido e proposta igualmente pomposa. Trata-se de uma jarra produzida em vidro ou plástico que dispõe de um flutuador, responsável por criar uma barreira física entre o líquido e o oxigênio com uma tampa hermética. De acordo com o site do produto, o Savino não tenta controlar o ambiente de uma garrafa de vinho aberta. Ele, na verdade, cria um ambiente novo para preservar o sabor e aroma da bebida. A jarra já está disponível em alguns sites especializados por R$ 150 em média.

O QUE BUSCAR
É um vinho amarelo claro
que ocasionalmente desenvolve matizes dourados e verdes. Seu aroma lembra rosas, jasmins e gerânios. Em boca surgem os sabores de salada de fruta pura, às vezes com toques de orégano ou mel. Se bem seus aromas antecipam um vinho doce, seu sabor revela uma fresca acidez.

COMO HARMONIZAR
É perfeito para tomar como aperitivo refrescante antes de uma comida, ou para acompanhar os sabores delicados de peixes e mariscos. Também harmoniza muito bem com os pratos aromáticos e picantes da Índia, China e Tailândia.


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