A caipirinha é o drinque oficial do Brasil. Assim como sua matéria-prima principal, a cachaça, a bebida está protegida por lei como um patrimônio nacional. No entanto, pouco se sabe sobre a sua origem. Teria surgido no interior de Minas ou São Paulo. Ainda há registros que identificam Paraty, no Rio de Janeiro, como berco do drinque.

Embora não haja um histórico oficial sobre a biografia e a trajetória da famosa caipirinha, o drink brasileiro se inspirou em remédios caseiros utilizados em 1918 para combater um surto de gripe espanhola. Mistura de limão, alho, mel e uma pequena dose de álcool amenizava as dores provocadas pela doença, que dizimou milhões de pessoas na Europa

No Brasil, a mistura começou a ser utilizada no interior de São Paulo, mais especificamente na cidade Piracicaba, para curar gripes comuns devido ao impacto que o limão causa nas vias respiratórias, porém, com a adição da cachaça, bebida alcoólica 100% nacional. Há especulações que esta história começou em Minas Gerais.

O batismo da caipirinha foi prosseguido por um período de consagração da cultura nacional, marcado em São Paulo pela Semana de Arte Moderna de 1922. O evento buscava alinhar as artes brasileiras às vanguardas europeias. A bebida foi então abraçada pelos intelectuais modernistas como um símbolo da cultura gastronômica nacional.

Finalmente o Brasil tinha um drinque para chamar de seu. "A caipirinha foi usada como uma espécie de protesto. Mais tarde, a pintora Tarsila do Amaral e o escritor Oswald de Andrade, modernistas, levaram a tradição até Paris", afirma Jairo Martins, autor do livro 'Cachaça: o mais brasileiro dos prazeres'.

Ainda que o limão esteja na fórmula original como ingrediente tradicional da caipirinha, o drink se apropriou de outras frutas para explorar todas as potencialidades do diversificado pomar brasileiro. Com vodca ou cachaça (o uso de outros destilados igualmente é aceitável), a caipirinha se apresenta saborosa e refrescante.

Em bares como o Boteco do Neco, em Maringá, a caipirinha é protagonista no cardápio, que faz uma releitura contemporânea da comida caseira com receitas inovadoras servidas com molhos artesanais. Os bolinhos da casa já se tornaram uma referência de petiscos exatamente por dar 'a tradição um formato bem inovador. |

"A clássica feijoada, a carne seca, a linguiça e a mandioca ganharam um novo formato e, modéstia à parte, são nossa especialidade. Eles acompanham molhos artesanais feitos com geléia de pimenta, geléia de laranja, e molho de alho", explica Deborah Kemmer, uma das proprietárias da casa.



A ORIGEM DA CACHAÇA
São várias as versões existentes sobre a origem da cachaça. A história começa quando os portugueses trouxeram da Ilha da Madeira a cana-de-açúcar e as técnicas de destilação. Uma das versões conta que o destilado teria surgido em Pernambuco quando um escravo, que trabalhava no engenho, deixou armazenada a "cagaça" – um caldo esverdeado e escuro que se forma durante a fervura do caldo da cana.

O líquido fermentava naturalmente e, devido às mudanças de temperatura, ele evaporava e condensava, formando pequenos pingos de cachaça nos tetos do engenho. Inclusive, a origem do sinônimo "pinga" teria surgido dessa versão popular da origem do destilado – uma versão fantasiosa.

Outra versão apresentada pelo historiador Luís da Câmara Cascudo, no seu livro Prelúdio da Cachaça, aponta que a primeira cachaça foi destilada por volta de 1532 em São Vicente, onde surgiram os primeiros engenhos de açúcar no Brasil. Nessa versão de Cascudo, foram os portugueses, depois de aprenderem as técnicas de destilação com os árabes, que produziram os primeiros litros da bebida.

O fato é que a cachaça acompanhou a história do Brasil desde o seu início, passando pelo o ciclo do açúcar, pelo crescimento das fronteiras territoriais e chegando até a urbanização do país. Originalmente, a cachaça era destinada aos escravos mas logo caiu no gosto popular, se tornando um importante componente da emergente economia nacional e, por conseqüência, proliferando sua produção por todo o litoral do Brasil.

(Fonte: Mapa da Cachaça)

CAIPIRINHA NOTA 10
Use cachaça branca
A versão envelhecida da bebida adquire notas de sabor da madeira em que é fermentada, mascarando a pureza da caipirinha

Corte do limão
O limão deve ser cortado no momento exato do preparo da caipirinha. Se a fruta for cortada com antecedência pode oxidar e afetar o drinque

Não tire a casca
É exatamente na casca do limão que ficam seus óleos essenciais, responsáveis por dar uma camada adicional de sabor à bebida. Macere levemente

Miolo não afeta sabor
Assim como a casca e a polpa, o miolo é composto por pectina, substância que não contamina o gosto da bebida

Açúcar demerara
Com coloração marrom claro, o açúcar demerara passa por um refinamento leve e não tem aditivos químicos. Deixa a caipirinha mais saborosa

DIFERENÇA

Cachaça é uma aguardente de cana-de-açúcar com graduação alcoólica de 38% a 48%, a 20 graus Celsius, obtida pela destilação do mosto fermentado do caldo de cana-de-açúcar. Caso não se enquadre nessa definição, a bebida não pode ser comercializada como cachaça e receberá a denominação de aguardente. Por exemplo, um destilado de cana com graduação alcoólica de 50% só pode ser chamado de aguardente de cana-de-açúcar. Ou seja, toda cachaça é uma aguardente, mas nem toda aguardente é cachaça. (Fonte: Mapa da Cachaça)

CURIOSIDADE

A caipirinha foi padronizada em 2002 pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como bebida alcoólica feita com os seguintes ingredientes: cachaça pura, limão, açúcar e gelo, a 20º C e com teor alcoólico entre 15% e 36%. A medida foi adotada para evitar que a caipirinha fosse patenteada por alguma empresa estrangeira.

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