Festejado como um dos grandes vinhos do mundo, o italianíssimo Brunello di Montalcino é um monumento reverenciado há pouco mais de quatro décadas, ainda que sua história tenha mais de um século e meio. Até o fim do século 1800, o vinho mais conhecido de Montalcino era um vinho branco chamado Moscadello di Montalcino.

Foi por volta dessa época, porém, que um fazendeiro chamado Clemente Santi começou a estudar mais a fundo a uva Sangiovese. Clemente isolou certas plantações para o estudo, pois queria tentar produzir um vinho 100% varietal (feito só com a Sangiovese) que pudesse ser envelhecido por muitos anos, ganhando um corpo especial que não tinha nos vinhos da época.

Em 1831, o marquês Cosimo Ridolfi (que mais tarde virou o Primeiro Ministro da Toscana), elogiou os vinhos de Montalcino, dizendo que os tintos de lá eram os melhores. Anos depois, descobriu-se que o vinho que causou essa impressão foi um tal Brunello. Era o vinho do velho Clemente.

Brunello é diminutivo de "Bruno", um nome masculino que significa "marrom". O significado é bem interessante, já que os vinhos mais velhos são geralmente mais amarronzados, e a ideia do Clemente era justamente criar um vinho que pudesse ser bem envelhecido.

Apesar desse reconhecimento, o estudo da uva acabou passando pelas gerações. Clemente não viu seu vinho se tornar famoso na Itália e no mundo todo, mas seu neto tomou as rédeas da paixão do avô.

Ferruccio Biondi-Santi era um soldado veterano do exército de Giuseppe Garibaldi, na guerra do Risorgimento ("Guerra do Ressurgimento", que lutava pela unificação da Itália). Em 1888, já de volta à sua casa, Ferruccio produziu o primeiro Brunello di Montalcino na versão moderna, um vinho envelhecido em madeira por mais de 10 anos.

Daí, foi um sucesso geral. Até o fim da Segunda Guerra, o Brunello di Montalcino já tinha desenvolvido a reputação de ser um dos vinhos mais raros da Itália. O único produtor era a família Biondi-Santi, que produziu poucos vihos até 1945.

A fama do vinho acabou levando outros produtores a tentarem fazer o Brunello, até que, em 1968, Montalcino ganhou o título de "Denominazione di Origine Controllata" (Denominação de Origem Controlada),

tendo sido a primeira região italiana a ganhar a designação.

Além de Brunello, há outras três denominações de origem na zona de Montalcino: Rosso, Moscadello e Sant'Antimo. O Rosso di Montalcino foi criado em 1984 para ser o "vinho de entrada" para os Brunello, muito caros e trabalhosos. Eles também só podem ser feitos com Sangiovese, porém, podem ser comercializados depois de apenas um ano da safra, sem requerimentos específicos de envelhecimento em madeira ou garrafa.

Já o Moscadello di Montalcino é um vinho doce, feito com a variedade Moscato Bianco. Sant'Antimo, por fim, abarca todos os outros vinhos produzidos na região, tanto tintos quanto brancos, incluindo Vin Santo.

NA TAÇA

Não se abre um Brunello e o entorna na taça sem algum ritual. Alguns rótulos exigem longas horas de decantação, em especial aqueles mais jovens. Esse período seria necessário para que o vinho 'abra' seus aromas e sabores mais misteriosos. Deve ser servido entre 10 e 20 graus e acompanha muito bem carnes vermelhas, além de cogumelos e queijos com aromas mais intensos, como pecorino e parmesão.

Cheirar vinho promove saúde, revela pesquisa
Depois de concluírem que o consumo moderado de vinho auxilia na manutenção de uma vida saudável, pesquisadores agora estão convencidos de que sentir os aromas da bebida também promove bem estar. Segundo estudos distintos, desenvolvidos por instituições dos Estados Unidos e do Canadá, sentir as características olfativas da bebida desenvolve o córtex cerebral, que por sua vez auxilia a prevenção de doenças neurodegenerativas. As conclusões foram obtidas ao final de estudos comparativos entre os cérebros e pessoas comuns e especialistas em vinhos. O cérebro do segundo grupo se apresentou mais saudável e resistente a doenças ocasionais, como AVC, em função dos componentes do vinho. Substâncias contidas na bebida também poderiam ajudar a proteger do cérebro de doenças degenerativas, como Parkinson e Alzheimer também poderiam

Consumo de vinho está associado a inteligência
A mais recente pesquisa sobre vinho, realizada com jovens adultos na Dinamarca, mostra que aqueles que consomem vinho são, geralmente, mais inteligentes, nutrem gosto pelas artes e têm maior nível de instrução - fatores que podem também ser associados a uma saúde melhor. "As pessoas com altos Q.I. (quocientes de inteligência), pertencentes a um alto nível sócio-econômico, e que têm bom nível de instrução são geralmente mais saudáveis do que aquelas que não possuem essas características", afirmou June Reinisch, uma das autoras da pesquisa e diretora do Kinsey Institute for Research in Sex, Gender, and Reproduction, da Univesidade de Indiana. O estudo, publicado pela Archives of Internal Medicine, nos Estados Unidos, analisou 967 homens e 845 mulheres com idades entre 27 e 39 anos. Os autores do trabalho compararam pessoas que bebiam vinhos com as que consumiam cerveja, e as que se abstinham com as que consumiam os dois tipos de bebida. (Fonte: infovinho.com.br)

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