"Um dos melhores e mais excitantes vinhos que já degustei até hoje", declarou ninguém menos que o crítico norte-americano Robert Parker, da Revista Robert Parker's Wine Advocate, sobre o Dominio de Pingus 1995, primeira safra do que viria a se tornar um dos vinhos mais raros de Ribera del Duero.Apenas 325 caixas foram produzidas naquele ano, a um preço inicial de US$ 200 cada garrafa. Peter Sisseck é o nome por trás desses raros exemplares. O dinamarquês cresceu na França, formou-se em enologia e depois, nos anos 1990, se mudou para a Espanha, onde fundou a Dominio de Pingus. Sisseck garante: o segredo de seu sucesso está no vinhedo. "As vinhas das minhas parcelas de terra são muito velhas", começa a explicar o enólogo sobre as plantas que ultrapassam os 70 anos. "Elas nunca foram fertilizadas ou receberam tratamentos à base de pesticidas, e todas cresceram seguindo o tradicional sistema 'en vaso' (quando as vinhas crescem livremente). Elas são perfeitas", conclui.

Além do sistema de condução, outro fator que diferencia os vinhos da Dominio de Pingus é o tratamento biodinâmico realizado nos vinhedos. Esta foi a maneira que o enólogo escolheu, conforme afirma, para encontrar a sinceridade nos vinhedos de Ribera del Duero, cujas práticas eram caracterizadas pelo uso de insumos agrícolas e pelo incentivo à quantidade em vez da qualidade.Depois do sucesso, o enólogo dinamarquês começou a ampliar sua produção, tornando seus vinhos relativamente mais acessíveis.

Conheça os rótulos:

Pingus Esse é o seu vinho mais raro. Feito 100% de Tempranillo. O vinho entra no circuito "cult" e são produzidas cerca de seis mil garrafas, somente nas melhores safras. Por esse motivo, não espere encontrá-lo todos os anos, e se quiser uma garrafa é necessário reservá-la com um bom tempo de antecedência.

Flor de Pingus Esse não é um vinho de segunda linha, acredite. O Flor de Pingus é produzido com a mesma uva: Tempranillo. A grande diferença está na localização dos vinhedos. Cerca de 60 mil garrafas são produzidas anualmente e esse rótulo costuma ser mais intenso, daqueles que pedem anos de guarda (de cinco a 20)

Psi Um dos trabalhos mais interessantes do enólogo Peter Sisseck é o de deixar como herança para a região espanhola de Ribera del Duero uma vitivinicultura mais consciente. O vinho Psi, por exemplo, é fruto de um projeto que seleciona alguns agricultores da região e os estimula a produzirem uvas mais saudáveis e de maior qualidade. O enólogo acompanha o trabalho deles durante o ano, e ao final do período, compra as uvas.

(Fonte: Grandcru.blogspot)

Veja Sicilia Unico é outro ícone
Outro vinho considerado ícone da enologia espanhola é o Vega Sicilia Unico, que ganhou notoriedade no Brasil ao encher taças de convidados do casamento do jogador Ronaldo com Daniela Cicarelli, realizado num castelo na França. O rótulo de 1991 servido no jantar, junto com champagne Laurent-Perrier, não é exatamente uma expressão máxima da vinícola, mas em se tratando de um Veja Sicilia é de render homenagem. Fundada em 1864 por Eloy Lecanda y Chaves, a Bodegas Vega Sicilia viria a lançar seu vinho ícone, o Vega Sicilia "Unico", apenas em 1915. A notoriedade foi rapidamente alcançada e, nos anos 20, ele já era reputado como o rótulo de maior prestígio da Península Ibérica, posto que até hoje ocupa com "quase" unanimidade. As garrafas do "Unico" são disputadas e há cerca de três mil clientes em lista de espera para adquiri-las. Todos os anos, a garrafa magnum (1,5 litro) de número "001" é enviada para o Rei da Espanha, Juan Carlos, devidamente autografada por Pablo Alvarez, o atual proprietário da Bodega. O Papa João Paulo II, ao visitar a Espanha, quis provar o "Unico" e foi presenteado com uma garrafa do ano de seu nascimento: 1920. O jogador de futebol Ronaldo, o "fenômeno", serviu o "Unico" em seu badalado e naufragado casamento com a modelo Daniella Cicarelli. Segundo Yolanda Perez, diretora de exportações da empresa, muitos japoneses entram em contato perguntando qual foi a safra do "Unico" servido no casamento do príncipe Charles e Lady Diana, fato que simplesmente não aconteceu. Mas qual é o segredo deste vinho? Segundo Xavier Ausàs López de Castro, diretor técnico, responsável pela elaboração dos vinhos e com quem os provei: "Não há segredo, apenas muito trabalho". De fato, este vinho segue a mesma fórmula de todos os grandes do mundo: solo e clima privilegiados, produção pequena, boas cepas e uma hipérbole de cuidados que podem chegar a um perfeccionismo quase insano.

A nova moda no mundo do vinho (entre tantas!) é a microcarta de rótulos comuns em restaurantes disputados da Europa, em particular, de Londres, onde, se supõe, alguém teve a feliz ideia de oferecer aos clientes um número limitados de rótulos (10 para ser exato). O enredo é formado por vinhos cujas uvas combinam melhor com o clima e com os pratos oferecidos na estação. Para os sommeliers, este é um jeito de levar o cliente além do cabernet. Essa é uma opção interessante que poderia ser copiada por aqui. Os restaurantes costumam exagerar no número de rótulos na carta e, para surpresa do cliente, geralmente não há uma segunda garrafa do vinho pedido junto com o prato. A tentativa de repetir o rótulo costuma vir acompanhado de uma desculpa do tipo: 'só havia uma garrafa'. Nas cartas nativas os vinhos seguem o roteiro dos brancos, tintos e, eventualmente, rosés. A distribuição por país é quase sempre óbvia: Chile e Argentina lideram as opções e o Brasil costuma aparecer no rodapé da carta, geralmente com os piores rótulos oferecidos pelo país. Quando aparece um italiano ou francês quase sempre são rótulos sem nenhuma expressão. Importante, no entanto, fazer alguma distinção: um ou outro restaurante é mais caprichoso na carta, mas menos no vigor da adega, nanica em rótulos repetidos. A dica inglesa talvez seja uma boa alternativa: menos é mais, desde que o mais não seja menos. (Edivaldo Magro)

Pergunta do leitor

Qual a diferença entre champagne e crèmant, quando me refiro a rótulos orginalmente franceses?

A resposta para a pergunta da leitora Jéssica Mendes é simples: em princípio, champagne e crèmant é a mesma coisa. Acontece que a expressão 'champagne' só pode ser usada por produtos elaborados na região de Champagne. Fora dessa área demarcada (e isso vale para o mundo inteiro), o produto precisa ter outro nome, o que acontece com o crèmant. Na Espanha, por exemplo, é Cava, e no Brasil se popularizou o espumante, depois de algumas tentativas de buscar um nome menos genérico. Vale lembrar ainda que método de produção é o mesmo entre um champagne e um crémant. Tem crémants de Loire, de Borgonha, de Bordeaux, d'Alsacia etc. e cada produção respeita especificações técnicas próprias da região (tipo de uva, território, estilo da vinícola...) O mais conhecido é da Alsácia (Alsace em francês), que representa mais da metade da produção de crèmant do país.

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