O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse na última semana, em Brasília, que a Operação Carne Fraca, deflagrada em março de 2017, não gerou prejuízos para o setor já que as exportações devem crescer neste ano. "Crises muitas vezes são positivas", afirmou ele a jornalistas. "Não podemos nem apontar prejuízos com Carne Fraca porque vamos terminar o ano com volumes maiores de exportação", comentou. "Foi um grande susto, mas nos deu muitos alertas", completou ele.

Segundo Maggi, a Operação Carne Fraca levou o Ministério a revisar procedimentos internos. A "grande desconfiança dos importadores" estava no serviço de fiscalização do País, disse. "Muitos deles achavam que havia interferência política nesse processo, então criamos um novo sistema blindando tudo isso", destacou o ministro.

Maggi voltou a afirmar que o bloqueio dos Estados Unidos à carne bovina in natura brasileira, anunciado em junho, não teve relação com a Operação Carne Fraca. "As plantas frigoríficas não tomaram os cuidados necessários para um mercado tão exigente quanto aquele."

Uma das alegações dos norte-americanos foi a presença de abscessos nos cortes enviados ao país. "Minha esperança era de que voltássemos (a exportar para os EUA) ainda em dezembro, mas não foi possível", disse.

O ministro diz acreditar que a retomada aconteça nos primeiros meses de 2018. "Tivemos problema com etanol deles para cá e isso deixou os norte-americanos pouco satisfeitos; certamente atrapalhou um pouco."

Em relação ao bloqueio anunciado pela Rússia no fim de novembro às carnes brasileiras, o ministro disse que as negociações estão em curso e que o mercado deve ser retomado em janeiro ou fevereiro.


FALHA NA FISCALIZAÇÃO. Desconfiança dos importadores estava no serviço de fiscalização do País, disse o ministro. —LENITO ABREU

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