36,5 milhões de hectares é a área que deve ser cultivada com soja, no Brasil, no ciclo 2018/19, cuja semeadura começa em setembro. Se o tempo ajudar, o potencial é de uma colheita de 120 milhões de toneladas. Os dados são da consultoria INTL FCStone.

RETRATO Entre os dados preliminares do Censo Agro 2017 divulgados na semana passada, alguns merecem especial atenção por retratar a fisionomia do setor mais importante da economia brasileira.

CRESCIMENTO Comparando com o último Censo, realizado em 2006, a área total dos estabelecimentos agropecuários do país cresceu 5%, ou 16,5 milhões de hectares, o equivalente a mais de três vezes a área cultivada com grãos No Paraná.

MAIORES E MENORES Os estabelecimentos com 1.000 hectares ou mais, aumentaram sua participação na área total de 45% para 47,5%, enquanto os de 100 a 1.000 hectares diminuíram sua presença, de 33,8% para 32%.

MENOS GENTE Em 2017, havia 15 milhões de pessoas ocupadas nos estabelecimentos agropecuários. Em 11 anos, isso representa uma queda de 1,5 milhão.

MAIS MÁQUINAS Em sentido oposto, o número de tratores cresceu 49,7% no período e chegou a 1,2 milhão de unidades. Em 2017, cerca de 734 mil estabelecimentos utilizavam tratores.

DEFENSIVOS Destaca-se, ainda, que 1,68 milhão de produtores utilizaram defensivos agrícolas em 2017, um aumento de 20,4% em relação a 2006 – lembrando que houve um aumento de área de 16,5 milhões de hectares.

UMIDADE O uso de irrigação também se ampliou, com aumento de 52% tanto em estabelecimentos (502,4 mil) quanto em área (6,9 milhões de hectares).

LIGADOS NA REDE O acesso à Internet nos estabelecimentos agropecuários cresceu 1.790% nos últimos 11 anos, chegando a 1,42 milhão de produtores.

BAIXO NÍVEL ESCOLAR Cerca de 15,5% dos produtores disseram nunca ter frequentado escola e 79 % não foram além do nível fundamental.

MULHERES E IDOSOS Já a participação de mulheres e idosos de 65 anos ou mais na direção dos estabelecimentos aumentou, chegando a, respectivamente, 18,6% e 21,41%. Em 2006, as mulheres representavam 12,7% dos produtores e os idosos, 17,52%.

COR E RAÇA Pela primeira vez, o Censo Agro investigou a cor ou raça dos produtores: 52% deles eram pretos ou pardos e 45% brancos, distribuição semelhante a da população do país, segundo a PNAD Contínua 2017.

CARNE BRANCA O frango deverá ser a carne mais produzida e consumida no mundo até 2020. A projeção do especialista Antonio Apércio Klein, da Agropec Consultoria, baseado em números da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), foi feita durante o 9º Encontro Técnico Avícola, na semana passada em Maringá (PR).

PAU A PAU Klein apresentou números que indicam o crescimento da produção mundial de carnes no período compreendido entre os anos 1960 e 2014. Naquele primeiro ano, a liderança ainda era da carne bovina, que foi ultrapassada na segunda metade dos anos 1970 pela suína. Ao longo das décadas, a produção de carne bovina praticamente estagnou, enquanto as outras duas começaram uma disputa pelo primeiro lugar.

DISPARAR Em 17 anos, entre os anos de 2000 a 2017, o segmento avícola brasileiro ampliou em 190,8% a produção de rações. De acordo com Klein, esse é um indicativo claro de forte crescimento da atividade. Segundo ele, o percentual deve continuar evoluindo, podendo até mesmo dobrar nas próximas duas décadas.

SOJA Palestrando no mesmo evento, o consultor da INTL FCStone, Étore Barone, disse que da produção brasileira de soja (2017/18), de 117,4 milhões de toneladas, 55% (o equivalente a 43,6 milhões) devem seguir para esmagamento e 41% (70 milhões) para exportação, resultando num estoque final de apenas 4% (1,25 milhão de toneladas).

DEVAGAR Barone mostrou também que a comercialização da próxima safra de soja (2018/19) segue em ritmo lento e atingiu apenas 20% até agora, enquanto nessa mesma época, no ano passado, o percentual era de 79%. No Paraná, o índice é de apenas 12% - empatando com São Paulo e Minas Gerais – e só à frente do Rio Grande do Sul, 10%.

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