2,2% é a queda que o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) deve apresentar em 2018, em comparação com o ano de 2017, segundo apontam dados praticamente finalizados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). As lavouras tiveram redução de 0,6% e a pecuária de 5,3%, em relação ao ano passado.

NA BOA Os produtos com melhor desempenho são algodão, com aumento real de 43,2%, cacau (28,6%), café (8,5%), soja (9,8%), tomate (17,2%) e trigo (62,3%). Esses seis produtos representam 37,6% do VBP. Algodão e soja exibem destaques recordes de valor na série analisada, desde 1990. Ambos são beneficiados por preços mais elevados do que em 2017, e recordes de produção.

FATURANDO De acordo com José Garcia Gasques, coordenador geral de Estudos e Análises da Secretaria de Política Agrícola do Mapa, isso faz com que estados líderes nesses produtos, como Mato Grosso e Bahia, apresentem resultados excepcionais de faturamento neste ano.

QUEDA Um grupo de produtos apresenta resultados desfavoráveis no comparativo com o ano passado. Entre estes encontram-se arroz, com queda real do valor de 20,8%, cana-de-açúcar (-7,3%), feijão (-29,1%), laranja (-19,6%), mandioca (-15,8%), e milho (-9,4%). Todos esses tiveram redução acentuada de preços e quantidades produzidas.

ALERTA "Um desastre". Essa foi a definição do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, para uma eventual proibição definitiva do uso de glifosato no Brasil. Agroquímico utilizado há décadas no país, o produto teve o seu registro suspenso no último dia 3 por uma decisão judicial.

PRA QUE SERVE Maggi explica que ao controlar ervas daninhas, o glifosato permite o chamado plantio direto, feito sobre matéria orgânica que fica no solo de uma safra para a outra. Essa prática agrícola também evita erosão.

MUITO TEMPO Há 10 anos, a Anvisa está avaliando se o glifosato é perigoso para saúde e se pode causar câncer.

PREOCUPA Se a decisão judicial for mantida, será um grande problema para os produtores que se preparam para o plantio da nova safra de soja, cuja semeadura se dá a partir de setembro.

QUEM SABE? Representantes do setor de defensivos agrícolas e autoridades têm sido unânimes em dizer que a decisão não deve se sustentar.

NO RITMO As entregas de fertilizantes cresceram 18% em julho ante o mesmo mês de 2017, recuperando o ritmo esperado, que havia sido afetado pela greve dos caminhoneiros em maio, quando houve queda de 27%, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

TABELA DO FRETE A aceleração no mês foi importante, principalmente, para os Estados do Centro-Oeste, onde o impacto da tabela de preços mínimos do frete é maior.

NORMALIZOU "O problema mais sério estava nas grandes áreas consumidoras longe do porto. No Paraná e no Rio Grande do Sul, áreas próximas a portos, os problemas foram resolvidos mais rapidamente. Em Mato Grosso e Goiás a situação estava mais complicada, mas se ajustou nesse mês", afirma Marcelo Mello, da INTL FCStone.

ÀS ESCURAS Apesar do avanço, Mello acredita que ainda existem muitas indefinições no mercado que podem prejudicar as entregas de fertilizantes, que normalmente têm pico entre agosto e setembro.

ACORDOS "O transporte está caminhando, mas com um certo risco jurídico, porque ninguém está pagando a tabela mínima, todos estão fazendo acordos – ainda que o preço não seja tão baixo quanto antes da greve. Mas até que ponto esses agentes do mercado seguirão dispostos a correr esse risco? Não sabemos", afirma o representante da INTL FCStone.

STÉVIA Durante o dia de campo promovido pela Unicesumar em sua fazenda, no final de semana, um dos temas apresentados por uma empresa expositora foi a stévia, planta nativa do Brasil e do Paraguai – trezentas vezes mais doce que o açúcar - que hoje é produzida em larga escala na China.

VEM DE LONGE Segundo Ladislau Coimbra, da SteviaSoul, praticamente não há cultivo comercial de stévia no Brasil e a produção paraguaia apresenta baixa qualidade. Com isso, os chineses se tornaram os maiores produtores.

UMA GRANA PRETA R$ 3,1 trilhões. Essa cifra equivale ao valor de toda a área destinada pelos agricultores brasileiros à preservação ambiental, de acordo com o pesquisador da Embrapa Territorial, Gustavo Spadotti A. Castro.

QUANTIFICAR Castro apresentou a informação acima ao superintendente da Ocepar, Robson Mafioletti, na última quinta-feira, em Curitiba. Segundo ele, essa nova informação é decorrente de uma atualização realizada no levantamento feito pela Embrapa Territorial a pedido da Ocepar, em 2017, cujo propósito foi quantificar as áreas destinadas pelos agricultores à preservação ambiental.

QUANTO PRESERVAM O estudo mostrou que a área territorial brasileira soma mais de 810 milhões de hectares, dos quais 21% estão preservados, o que corresponde a 170 milhões de hectares. O mesmo levantamento apontou que os agricultores paranaenses destinam acerca de 28% das áreas de suas propriedades para a preservação ambiental.

IMPACTADO Para Castro, esse resultado é uma forma de reconhecimento ao trabalho que o agricultor realiza no campo. "Não tem nenhuma categoria profissional no Brasil, no mundo, que destine mais tempo, mais recursos para a preservação do meio ambiente que o agricultor. É preciso valorizar isso, pois ele é o mais impactado em toda essa cadeia e está destinando parte do seu patrimônio e dinheiro para manter aquela floresta intacta na propriedade rural dele", ressalta.

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