Em casa, é comum os pais falarem para os filhos: "Hora de brincar, hora de brincar. Hora de fazer tarefa, hora de fazer tarefa". Como se as duas atividades não tivessem relação. No Colégio Bom Jesus, de Curitiba, há um planejamento sobre isso e as brincadeiras fazem parte da didática escolar. "A escola sempre orienta a importância de brincar com a criança em casa", explica a coordenadora geral da Educação Infantil do Grupo Educacional Bom Jesus, Isabel Marconcin.

E mesmo quando os pais chegam em casa cansados do trabalho, há opções mais simples que vão entreter e estimular descobertas na criança. Como uma simples narração de histórias que pode ser incrementada com os pais imitando a voz das personagens e fazendo mímicas para ilustrar o enredo.

Uma dica dada por Marconcin é escolher um livro que a criança já conhece. Assim, a interação será mais segura, já que o filho sabe o que acontecerá, mas se divertirá com os novos elementos das vozes e mímicas.

As brincadeiras infantis foram das coisas e situações as que mais sofreram influência das novas tecnologias de comunicação. Hoje os aparelhos eletrônicos são parceiros quase que inseparáveis das crianças em qualquer faixa etária. Por isso, as brincadeiras lúdicas do passado foram deixadas de lado pelos jogos eletrônicos e vídeos do YouTube. "A tecnologia é prejudicial se for só ela, como dar só o computador, celular ou tablet para a criança brincar", alerta Marconcin.

Ela orienta que os aparelhos podem agregar valor com outras atividades. Como no caso de uma viagem, onde os pais veem junto com os filhos o trajeto pelo Google Maps, pesquisam pelo computador sobre o destino, passagens, como é o lugar para onde vão. O que vira uma divertida brincadeira somada ao aprendizado de conhecer lugares e situações.

Essa situação faz parte de uma das principais ferramentas do Colégio Bom Jesus aliando o aprendizado com as brincadeiras: o jogo simbólico. A criança entra no mundo imaginário para atribuir um significado aos elementos que vê e descobre. Diferente dos brinquedos prontos ou jogos eletrônicos.

Apesar da grande influência tecnológica, a escola curitibana tem cuidado para resgatar as brincadeiras de gerações anteriores. Assim é no Projeto Recreio onde os alunos se divertem alternando atividades lúdicas e físicas de épocas diferentes, como a amarelinha, pular corda, entre outras. "É importante brincar no recreio porque ajuda a captar energia para voltar à sala de aula depois do recreio", revela Marconcin.

A escola atende crianças entre 3 e 9 anos de idade. E, além da didática para o aprendizado, também há cuidado para a segurança dos alunos nas brincadeiras. Com as menores é observado o tamanhos das peças nos brinquedos, já que não há discernimento sobre o que pode ou não colocar na boca entre as mais novas.

Entre as diferentes brincadeiras didáticas estão os jogos de peças soltas e de montar. Onde o aluno precisa se organizar, criar um objeto e depois brincar com ele. Num quebra-cabeça, a criança precisa de concentração, planejamento e estratégia. Muda a faixa etária pelo tamanho e quantidade das peças.

Nos jogos de tabuleiros, o aluno precisa jogar com outras crianças. Num caso de sociabilidade em aprendizagem colaborativa. E também ler e respeitar as regras do jogo. Já com as mais velhas, amplia a possibilidade com brincadeiras mais físicas. Como uma parede de escalada, sem esquecer do tradicional livro que incentiva o aprendizado e a cultura.


INFÂNCIA. Alunos do Bom Jesus se divertem alternando o lúdico, eletrônico e o tradicional. — ANDYE IORE

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