Com apenas três anos de idade, as gêmeas Ana Clara e Isabella de Oliveira Correa já são capazes de mergulhar na piscina da CEMS Academia, no Jardim Imperial. Ansiosas, contam os dias para chegar sábado: dia da aula de natação.

Além de gemelares, as pequenas nasceram prematuras, e por isso tiveram diversos problemas respiratórios. Segundo a mãe das meninas, Andrea Toscano, gerente de marketing de um shopping de Maringá, a natação contribuiu muito com o desenvolvimento e amadurecimento das pequenas.

"Nas primeiras semanas, já tivemos resultados em relação ao desenvolvimento respiratório delas. Até porque, estão ocorrendo oscilações de tempo muito bruscas, e a natação ajuda muito nesse sentido. Além disso, nós, como pais, tínhamos um certo receio de ir para lugares que têm piscina. Ouvimos falar tanto sobre acidentes e afogamentos. Então, queríamos dar base para que elas pudessem se virar bem numa piscina. A estrutura que a CEMS tem é ótima, e isso também contribuiu muito", explica a mãe.

Como a tecnologia está cada vez mais presente na formação das crianças, o espaço do correr e brincar foi substituído por joguinhos, onde a única parte do corpo que se move são os dedo. Contudo, de acordo com a diretora técnica/pedagógica da CEMS Academia, Juliana Miyaki da Silveira, o movimento e a natação são extremamente importantes para aprendizagem, maturação e desenvolvimento da crianças nesta faixa etária.

"O 'como' e o 'quanto' se pratica ditam a qualidade e a velocidade da aprendizagem: um ambiente de aula preparado de acordo com as características do aluno, considerando o nível de habilidade e a faixa etária em que se encontra, facilita o processo e leva ao sucesso na aprendizagem; um ambiente desorganizado, com exercícios difíceis demais ou fáceis demais e instruções que não são claras, dificulta o processo e desmotiva o aluno", explica.

"O desenvolvimento é um processo contínuo de mudanças nas capacidades funcionais do indivíduo. Estas mudanças ocorrem em uma ordem inalterável e relacionada à idade cronológica, mas em velocidades diferentes ao longo da vida, podendo ocorrer variações entre diferentes indivíduos. Esse processo está diretamente relacionado à maturação e às características ambientais - como o acesso à prática esportiva, estímulos ao movimento do bebê, etc.", ressalta Silveira.

Etapas

Piaget realizou um extenso estudo sobre o desenvolvimento da inteligência da criança. A partir da observação de seus próprios filhos e também de outras crianças, ele desenvolveu a "Teoria Cognitiva", na qual postulou que o desenvolvimento do raciocínio ocorre em quatro estágios. Em cada fase, a prática da natação se dá de uma maneira diferente.

Segundo Juliana Miyaki da Silveira, no estágio sensório-motor (0 a 2 anos), o ambiente de aprendizagem do nadar deve conter materiais lúdicos e pedagógicos com cores, tamanhos e texturas variados. "As estratégias pedagógicas devem contemplar musiquinhas, brincadeiras e repetição das mesmas atividades. Nesta fase o mais importante é a adaptação ao meio líquido: olhos, ouvidos, boca e nariz adaptados para receber uma 'chuvinha, um bolhão ou um mergulhão'. O bebê/criança precisa perceber seu corpo neste ambiente diferente, e aos poucos ir dominando-o", explica.

No período pré-operatório (2 a 7 anos), os professores de natação devem fazer da piscina um ambiente "encantado": "Utilizar narração de histórias e aulas temáticas, enfeitar a piscina com personagens e cenários do repertório infantil, criar atividades que propiciem o desenvolvimento da imaginação e da fantasia", conta a diretora técnica/pedagógica da CEMS Academia.

"No estágio operatório-concreto (7 a 11 anos), as atividades devem envolver as operações lógicas, regras simples com base em fatos que a criança possa observar e/ou vivenciar e atividades em equipes, estimulando a cooperação. E na etapa operatório formal (12 anos em diante), as aulas de natação devem contemplar situações desafiadoras. A solução de problemas é uma estratégia que costuma ter bastante resultado com esse público. Apresentar movimentos diferentes dos usuais, materiais que eles não conheçam e desafios de movimentos na água, por exemplo", acrescenta Juliana Miyaki da Silveira.


ATIVIDADE FÍSICA. As gêmeas Ana Clara e Isabella de Oliveira Correa, de três anos, fazem natação na CEMS Academia. — JOÃO PAULO SANTOS

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