Falar sobre sexualidade na escola e em casa ainda é um tabu. Professores e pais estão em duas pontas com uma situação delicada em comum, tendo os filhos/alunos no meio. Para isso o contato entre pais e pedagogos acaba sendo uma prevenção contra problemas como gravidez indesejada, doenças sexualmente transmissíveis, conflitos e brigas em relacionamentos, preconceito, entre outras situações. "Tem que ser franco. Somos sinceros e levamos para o lado mais leve. Não se pode pensar ´não pode falar sobre isso´ , senão vira tabu mesmo", comenta a diretora da Escola Tuiuti, em Maringá, Maracelis Gezualdo, que tem uma filha de 10 anos e sente a dificuldade em casa também. "Pode perguntar e pode falar. Nós tentamos esclarecer, fazemos palestras, falamos com os pais".

Além de ter profissionais acessíveis, a escola maringaense também tem programas e atividades que ajudam na situação. Estreou essa semana um projeto com foco na sexualidade com atividades mais práticas, saindo da sala de aula. São mostradas situações reais, como órgãos, um útero, próstata, bexiga, um feto, entre outros. E também as mudanças, o que acontece na adolescência, quando namora, a gravidez.

São usadas ferramentas e instrumentos em sala de aula para apoio ao falar sobre sexualidade: como slides, vídeos, música, história, laboratório de ciências biológicas. A diretoria informa que são abordadas as doenças sexualmente transmissíveis, como pode pegar alguma doença através do sexo, da falta de higiene, de onde senta, entre outras situações. O Colégio Tuiuti faz uma semana com o tema. E o próximo passo será fazer palestra em breve para os pais sobre a sexualidade.

Outro cuidado importante é ter atividades na mesma faixa etária. A escola separa para passar melhor as informações e não misturar porque a maneira de falar e mostrar tem que ser diferente para cada idade. As aulas e abordagens são de formas diferenciadas conforme a faixa etária de cada um. Quando os alunos têm idade menor, os assuntos são abordados com mais cuidado, sem detalhar muito. E quando a idade é maior, mostra mais perto da realidade.

Polêmica

Não bastasse a dificuldade de abordar a sexualidade, ainda há assuntos polêmicos que a escola não evita, mas também não interfere. Como a questão de gênero. A postura é não entrar no segmento, no debate. Mas, se tiver alguém na escola nessa questão, não é diferenciado. A escola respeita e não entra na vida da pessoa. Outro assunto que merece atenção é o preconceito, apontado como um dos principais problemas. "Sempre mantemos o respeito porque somos todos iguais, independente de cor, raça. O que importa é o respeito, não importa a classe social, o dinheiro que a pessoa tem", cita Maracelis Gezualdo.

Assim é como com as crianças especiais. A escola atua com seres humanos. E é o que tem acontecido na política agora com um julgando o outro. A diretoria cita que eles ensinam para que os alunos sejam alguém na vida, para fazerem o melhor de si. E que saber é importante, mas sem criticar o outro.

Comportamento
A mudança do tabu para ser um assunto comum na escola parte do princípio de "quebrar" a vergonha, o constrangimento, e falar mais. "Falamos sobre sexualidade e não sobre sexo. A criança muda muito na puberdade. Na aula, o professor fala sobre o que acontece no corpo. E daí se tem vergonha para falar sobre isso em casa, na escola toma a iniciativa", cita completando que na escola tem os amigos, se sente mais à vontade e se identifica. Se um aluno faz uma pergunta, logo esclarece dúvidas de outros também.


TEMA TABU. Depois da semana sobre sexualidade, a Escola Tuiuti fará palestra para os pais

Conversa na escola é como uma parceria preventiva
A zootecnista Tatiana Pereira Rodrigues tem duas filhas – uma de 9 e outra de 11 anos - estudando no Colégio Tuiuti. Ela busca as filhas na escola e costuma agendar horário para conversar com professores, coordenação e direção. "Não deixo nada passar e gosto de conversar pessoalmente", diz ela sobre a iniciativa de falar sobre sexualidade em casa. "É como uma prevenção e não pode esperar para falar sobre isso".
A mãe revela que as filhas já perguntaram algumas coisas quando eram mais novas. E por isso ela procura ler bastante sobre a questão e sempre vai à escola. O que ela considera como uma parceria bacana poder falar com os professores.
///Andye Iore

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