A pessoa passa quatro ou cinco anos estudando na graduação. Ainda faz cursos técnicos, especializações e acaba não conseguindo um emprego. Esse fantasma que persegue os estudantes depois de tanto sacrifício de anos estudando e muito dinheiro gasto é bem comum. E é o que faz o aluno mudar de curso no meio do caminho. "Às vezes a falta de informação sobre a área ocasiona a mudança de curso. Às vezes é o medo do futuro", anuncia a diretora de inovação acadêmica da PUCPR, Cinthia Spricigo. "Se a pessoa não encontra anúncios de vagas para aquela área que ela quer trabalhar, ela começa a ficar assustada. E tenta mudar de curso".

A diretora cita que falta aos estudantes uma visão das possibilidades que uma profissão dá. Um dos problemas é que às vezes o aluno não gosta de algumas disciplinas que tem na grade. E ele acaba abandonando o curso por isso. Mas ele não pensa que no outro curso que ele escolher terá também disciplinas que pode não gostar.

Uma das maneiras de enfrentar isso é ter persistência, orienta Spricigo. "Falta paciência de passar por aquilo que você não gosta. De buscar um outro olhar sobre aquilo que você não gosta. E de analisar as possibilidades inúmeras que uma profissão pode trazer", diz.

Misturar

Ela aponta como exemplo um aluno que estuda Direito, mas gosta da área de Meio Ambiente. Então, nem sempre se enxerga que pode trabalhar com Direito Ambiental. A diretora ressalta que os problemas que acontecem hoje para resolver no mundo são tão complexos que não exigia essa interdisciplinaridade antes.

Por outro lado, isso acaba sendo um atrativo para seguir na carreira. "A tendência é que as profissões não sejam mais tão tediosas. E é você unir o seu olhar naquele grupo e ajudar a resolver um problema", considera Spricigo sobre a interdisciplinaridade, que acaba sendo mais fácil mudar de curso e profissão que antes.

Uma outra opção para quem não está contente com o curso é ter mais paciência. Cinthia Spricigo orienta que o aluno conseguindo terminar o curso, usa seu diploma para ir conhecendo outros segmentos e procurar sua felicidade no trabalho. Depois pode se especializar fazendo outros cursos. É bem comum as pessoas mudarem de curso e profissão ao longo da vida. Mesmo porque a carreira profissional está estendida porque a expectativa de vida está mudando.

Segurança
O que também causa incerteza nos alunos é seguir uma carreira tradicional na família. O que é comum em cursos como Medicina, Direito e Odontologia. Com a dúvida sobre o mercado de trabalho, o aluno acha que terá mais facilidades porque alguém da família já tem um consultório ou escritório que poderá lhe oferecer um emprego após se formar. Mas acaba sendo infeliz no trabalho porque aquela profissão não condiz com seu perfil e preferências. "A pessoa busca uma segurança porque ela tem medo. Se tem medo, fica na tradição da família e escolhe a segurança", aponta Spricigo sobre essa questão mais pessoal.

Independentemente das mudanças, a diretora de inovação acadêmica da PUCPR orienta que se deve estudar sempre para poder seguir novos caminhos quando precisar. O curso de graduação é só uma base para a vida que pode mostrar outras opções.

FALTA DE AFINIDADE NÃO ÉMOTIVO PARA LARGAR CURSO
No caso de cursos que não tem afinidades, o aluno deve se adaptar se não quiser desistir. A dica da diretora de inovação acadêmica da PUCPR, Cinthia Spricigo é buscar algum nicho para que aquela profissão possa ser relevante para ele ou com algum propósito para servir pessoas de alguma maneira. Um outro exemplo de cursos que motivam a evasão é o caso das Engenharias, que apresentam dificuldades pelas disciplinas de Matemática e Física.

Por outro lado, essas disciplinas também podem ser fundamentais na vida profissional ao escolher outro segmento. Spricigo exemplifica que quando se faz Engenharia, o aluno ganha aspectos no raciocínio que podem ser usados em outras áreas, como ser um diretor de banco. A pessoa aprende a parte financeira que não teve na faculdade. Mas ela tem raciocínio lógico, que ganhou na Engenharia. Então ele migra para outra área, consegue aprender e ser um bom profissional.


UNIVERSIDADE. Aluno deve estudar sempre para poder seguir novos caminhos quando precisar; graduação é só uma base para a vida. — DIVULGAÇÃO

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