O cyberbullying está presente hoje na rotina dos jovens. Principalmente nas escolas onde os alunos usam o telefone celular o tempo todo. Apesar que nem todas as escolas permitem o uso do celular de forma didática e algumas até proíbem que alunos entrem com o aparelho na escola. "O cyberbullying tem uma gravidade maior", alerta o pediatra e coordenador do Departamento de Saúde Escolar do Grupo Educacional Bom Jesus, de Curitiba, José Francisco Klas, 53 anos. "É multiplicar o que fez para um número de pessoas incalculável e ficar para sempre circulando pela internet. E tem o agravante do anonimato de ofender alguém sem se mostrar".

Ele explica que os casos de bullying com uso de tecnologia são mais complexos porque vão para outros ambientes, com mais elementos como fotografias e comentários. Como nas redes sociais. E nem sempre há o desnível de poder, que caracteriza o bullying tradicional (leia no box).

Na Bom Jesus não há uso de celular de forma didática. Mas nem por isso, o cyberbullying é ignorado. "A ferramenta que eles mais usam é o telefone celular. No cyberbullying a pessoa pode fazer anonimamente o que não faria pessoalmente. É algo covarde. É se esconder para emitir opinião", considera Klas. Ele ressalta que os pais devem monitorar os filhos, que podem tanto causar ou serem alvos de bullying.

Ele cita que no caso de quem é alvo deve ser orientado, dar print, registrar e procurar órgãos de proteção. Que a criança não comete crime e sim ato infracional. E que não há bullying entre adultos. No caso é crime, como assédio, difamação, entre outros.

Conflito

O especialista Klas ressalta que é preciso separar bullying do cyberbullying. E também ter cuidado para não generalizar. "Hoje se chama de bullying qualquer agressão verbal. Se confunde e usa incorretamente o termo. Isso diminui os casos que são graves e deixa de atender casos com vítimas reais", aponta completando que não é bullying como o professor fez com o aluno. Ou o pai com o filho. O bullying acontece numa relação entre iguais. Como na escola, entre alunos, havendo um desnível de poder, com intimidação da vítima que não faz frente à agressão.

Dados do Ministério da Educação apontam que no levantamento feito em 2015, na Pesquisa Nacional da Saúde do Escolar (PeNSE), 7,4% dos estudantes informaram que já se sentiram ofendidos ou humilhados e 19,8% declararam que já praticaram alguma situação de intimidação, deboche ou ofensa contra algum de seus colegas.

A escola Bom Jesus revela que o índice de bullyind real é pequeno e que não tem estatísticas sobre isso. São 24 mil alunos em 34 unidades com uma equipe de 17 psicólogos e ainda a equipe pedagógica que acompanha e monitora os casos.

Otimismo
Klaus é otimista quanto à conscientização e diminuição do bullying nas escolas. "A população está mais sensível às diferenças. Agora convive com a inclusão dentro da escola, com diferenças físicas, motoras. Quando se convive mais com diferenças, se torna mais tolerante porque as diferenças fazem parte da vida", descreve.

Ele também aponta que os pais tem um papel importante ao não fazerem comentários negativos sobre raça, religião, time, entre outros aspectos, para que os filhos não pensem que é normal falar mal ou ofender outra pessoa por alguma característica diferente.

Perfil

José Francisco Malucelli Klas é pediatra e coordenador do Departamento de Saúde Escolar do Grupo Educacional Bom Jesus, onde desde 1994, coordena o Departamento de Saúde Escolar. Entre as atividades que já participou sobre o tema estão o Programa de Prevenção ao Bullying (desde 2010), o Programa de Desenvolvimento de Habilidades Socioemocionais (desde 2014) e o Programa de Prevenção a Autoagressão (desde 2012), entre outros.

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