A Reforma do Ensino Médio é importante na educação brasileira. Mas ainda tem pontos vistos com desconfiança, muitas dúvidas e também gera polêmica. Entre os debates estão tempo integral, disciplinas obrigatórias, evasão escolar, ingresso na universidade, entre outros. "Muitos pontos não estão claros na proposta. É importante o debate sobre o volume enorme de conteúdos elencados como obrigatórios", alerta o vice-presidente para Assuntos do Ensino Médio do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Noroeste do Paraná (SINEPE-NOR/PR), Vanderlei Alves Ferreira, que acha a reforma necessária, mas que deveria ser de outra forma. "Exige muito dos estudantes em todas as áreas. O vestibular é um ponto forte nesse debate".

Uma das relações em questão é como os conteúdos serão diminuídos no Ensino Médio conforme os eixos de formação no novo modelo se os vestibulares continuarão a cobrar um conteúdo maior como é atualmente.

As dúvidas também caem sobre a evasão escolar, já que a situação é diferente. Na escola pública há mais casos de alunos parando de estudar, no que a reforma pode ser positiva. E na escola particular quase não ocorre a evasão, fazendo com que os professores vejam as novidades com ressalva. "Há o questionamento dessa reforma influenciar negativamente a preparação dos estudantes para o vestibular", comenta Ferreira, completando que os processos de ingresso nas universidades também deveriam ser repensados. Maringá, por exemplo, tem oito opções de ingressos na universidade.

Ferreira sugere que é necessário repensar a interdisciplinaridade, a contextualização dos conteúdos e as metodologias aplicadas. Que a questão não é meramente escolar. As disciplinas obrigatórias também geram debates entre os professores. O vice-presidente do SINEPE orienta que deveria definir o que é conteúdo básico de cada disciplina, pois retirar alguma não seria viável, correndo o risco de prejudicar a formação básica do estudante.

Integral

Outro ponto que está em aberto é que deixar os alunos dois períodos na escola não garante melhor qualidade de ensino e nem diminuiu a evasão escolar. O tempo integral nos colégios não pode ser imposto porque a maioria das escolas não conta com espaço adequado para a alimentação, local de descanso, salas para atividades diferenciadas, como não ter internet, laboratórios, entre outros. "Muitas adaptações devem ser feitas. Passar mais tempo na escola deve ser carregado de significado para os estudantes, com atividades diferenciadas", ressalta Ferreira sobre os problemas estruturais das escolas.

Social

E isso é gancho para outro problema: o ensino brasileiro também sofre com os baixos salários dos professores, o que está diretamente relacionado com as condições das escolas citadas. Um professor desmotivado fica caracterizado como tendo baixa relevância social por ganhar pouco. "As condições de trabalho também são determinantes tanto para o desenvolvimento do trabalho dos professores e para as condições de acesso e permanência do estudante até o fim de sua formação na educação básica", conceitua Vanderlei Alves Ferreira.

Ele conclui que é preciso repensar socialmente o papel da formação da Educação Básica na vida dos estudantes. Principalmente os de baixa renda, que são obrigados a irem muito cedo para o mercado de trabalho. "Com isso, a finalização dos estudos deixa de ser prioridade", alerta. Ou seja, não adianta implantar novos modelos no Ensino Médio se as escolas continuarem com improvisações e os professores com salários baixos.


O que é
A Reforma do Ensino Médio é um conjunto de medidas para flexibilizar e mudar a estrutura do que será ensinado aos alunos no Ensino Médio – período de três series/anos de estudos que antecede a entrada na universidade. Foi criada pelo Ministério da Educação pela Medida Provisória 746 de 2016. Era previsto para ser implantada nas escolas brasileiras gradativamente em três anos, a partir desse ano.

Básicas
O novo modelo terá duas disciplinas básicas nos três anos de ensino: língua portuguesa e matemática. Os alunos seguirão outras quatro disciplinas conforme suas vocações. E terão opções técnicas a escolher:

I – linguagens e suas tecnologias;
II – matemática e suas tecnologias;
III – ciências da natureza e suas tecnologias;
IV – ciências humanas e sociais aplicadas;
V – formação técnica e profissional.
A Reforma é polêmica desde sua criação até hoje. Ela recebeu mais de 500 emendas no Congresso Nacional e também causou divergências políticas, resultando até em troca de cargos no alto escalão do ensino brasileiro.

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