Com a proximidade do final do ano, entre tantos compromissos típicos dessa época, surge o momento em que os pais precisam decidir se os filhos continuarão na escola onde estão ou se, por algum motivo, outra instituição será escolhida. Cada família tem seus critérios para essa decisão. Muitas não têm interesse em mudança. Estão satisfeitas com o colégio em que seus filhos estão matriculados. Outras, entretanto, buscam uma nova opção, às vezes movidas por questões financeiras, às vezes por insatisfação. No caso das escolas públicas, a proximidade da residência e a oferta de vagas geralmente norteiam essa decisão. No das particulares, há mais variáveis e então a peregrinação é mais intensa. Por se tratar de um investimento relevante no orçamento familiar, os responsáveis fazem visitas, comparam valores, conversam com outros pais, questionam a metodologia, conferem as instalações físicas etc. Toda essa atenção é necessária, é claro. Trata-se da vida escolar do filho. Será o local em que a criança ou o adolescente passarão os 200 dias letivos do ano. Como mãe e como educadora, acredito ter condições de opinar sobre esse momento.

Pais precisam observar a estrutura física não pelo luxo, mas pelas condições de segurança e higiene, ainda mais se o espaço for reservado para os pequenos. Salas ventiladas ou climatizadas, móveis em boas condições, pintura em dia. Tudo isso conta, naturalmente. Mas, mesmo depois de se impressionar com a "casca", é importante se informar sobre questões importantes como: corpo docente, qualidade do material didático, sistema de avaliação, regras disciplinares, calendário de eventos extras etc. Nas conversas de bastidor, com professores, funcionários e alunos, é possível aferir se a instituição aplica de fato seu slogan, geralmente impactante. Há colégios que dizem prezar por valores como ética e respeito, por exemplo, mas cujos donos são incapazes de cumprimentar os subordinados que cruzam seu caminho. Ou quem sabe ascendam financeiramente à velocidade da luz em detrimento aos colaboradores, que são explorados. Esse tipo de ambiente, mesmo que agrade aos olhos, certamente não será a melhor escolha.

E se encontrar uma instituição que seja boa para a meninada e que caiba no bolso desgasta, o que está por vir é muito mais exigente, afinal, o compromisso dos pais vai além da matrícula. Acompanhar a trajetória dos pequenos na escola não é somente cuidar da burocracia, da aquisição de livros, materiais e uniformes. Escolher o colégio, comprar mochila e pensar no transporte, por exemplo, são atitudes básicas. Ninguém merece medalha por causa disso. Pais e mães devem estar cientes de que os filhos precisarão da sua presença todos os dias do ano, sendo eles letivos ou não. Precisam conversar no carro, na volta da escola, perguntar como foram as aulas, mostrar interesse, mesmo que a resposta seja apenas o simples "legal". Devem se preocupar com as tarefas, com os trabalhos, com as provas.  Precisam ajudar na organização dos deveres, mas não na execução deles. Precisam respeitar, junto com os filhos, prazos que os professores estabelecerem.

Pais precisam cobrar da escola tudo que foi prometido. Precisam estar atentos a comportamentos e atitudes dos educadores. Mas, se esses mesmos pais amam de verdade seu filho e querem contribuir para sua formação, jamais devem desautorizar alguém em sua frente. Enfim, o importante é que todo pai e toda mãe estejam conscientes disto: a tarefa não termina na matrícula. Pelo contrário: a matrícula para o ano letivo de 2018 é só o começo de uma longa e árdua jornada ao lado do filho. Mas uma jornada que tem um valor imensurável na vida de crianças e adolescentes que, por mais que não manifestem, amam ter seus pais como companheiros.

Não apenas no dia de pagar a mensalidade ou buscar o boletim, mas em todos os dias do ano.

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