MAURÍCIO REINERT

Vivemos na era do conhecimento. Essa é uma expressão cada vez mais lugar comum nas notícias e redes sociais. Entre os economistas existe consenso relacionando educação e resultados econômicos, ou seja, quanto melhor é a educação da população, maior é o seu desenvolvimento econômico. Além de importante para a sociedade, o conhecimento possui uma relevância diretamente aos indivíduos. Completar o ensino médio aumenta a probabilidade de o trabalhador melhorar sua remuneração. Isso leva a uma unanimidade em relação ao conhecimento, basta perguntar às pessoas nas ruas se o conhecimento é importante e a resposta é um claro sim. Mas se é importante, será que é fácil saber qual o seu valor?

Tenho me debruçado, junto com alguns alunos, sobre essa pergunta em anos recentes. Em entrevistas com executivos e estudantes de diversas instituições de ensino superior em Maringá, chegamos a um denominador comum: o valor do conhecimento está relacionado à sua utilidade prática. Os participantes da pesquisa acreditam que um conhecimento tem mais valor se eles enxergam sua aplicação direta. Serve para alguma coisa, então tem valor. Essa visão traz um desafio, qual seja, responder a pergunta: "para que serve esse conhecimento?" Pesquisas demonstram que é difícil relacionar um conhecimento diretamente com sua utilidade, especialmente no curto prazo. O professor Jason Owen-Smith, da Universidade de Michigan, apresenta diversos casos em que um conhecimento que, a princípio, não apresentava utilidade, transforma-se em uma fonte de grande valor. Em seu livro Research Universities and the Public Good (Universidade de Pesquisa e o Bem Público) apresenta o caso da Google, empresa com valor de mercado aproximado de 1 bilhão de dólares. O algoritmo de busca na internet, PageRank, o qual deu origem a empresa, foi desenvolvido dentro da Universidade de Stanford por dois alunos de doutorado (Larry Page e Sergey Brin), em um projeto de pesquisa cujo objetivo era desenvolver tecnologia para bibliotecas. Depois de patenteado, Page e Brin tentaram vender o produto, mas os possíveis compradores consideraram que não estava clara a sua utilidade, ou seja, não o consideraram útil. Dois anos depois o site de busca Google estava desbancando todos os seus concorrentes, inclusive aqueles que não se interessaram pela sua aquisição.

Esse caso ilustra a dificuldade de se relacionar na prática o conhecimento com a sua utilidade. Por isso é tão difícil mensurarmos seu valor. O professor Owen-Smith argumenta que devido a essa dificuldade, também não é fácil mensurar o valor da Universidade de pesquisa em uma comunidade. Suas pesquisas indicam que os resultados do investimento realizados nelas precisam ser avaliados no longo prazo. Universidades atraem dinheiro para pesquisa e pessoas qualificadas, fixam na comunidade aqueles que, caso não tivessem a oportunidade de formação na localidade, iriam embora, e geram desenvolvimento por meio da inovação e empreendedorismo. Maringá ser avaliada como uma das melhores cidades para se viver e se fazer negócio não é coincidência, é o resultado, entre outras coisas, de anos de investimento em uma das melhores universidades de pesquisa do Brasil, a UEM.

Maurício Reinert é professor do Departamento de Administração da UEM

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