Eu queria ser mais organizada. Não que eu seja uma pessoa desorganizada, mas meus métodos ainda estão aquém do quão sistemática eu sou por dentro. Me admiro muito de pessoas que dizem "tenho que checar minha agenda" antes de marcar um compromisso, acho elegantíssimo. Também acho bonito ver gente escrevendo à mão, e ver meu nome escrito à mão na agenda de outra pessoa quando marcamos um compromisso. Escrever à mão tem uma ternura da qual eu gosto, e sou ainda mais afetada se a letra é bonita. Aliás, letra bonita está entre as três coisas que me chamam a atenção em uma pessoa, junto com sorrir com os olhos e empatia.

Mas tudo isso é digressão. O fato aqui é que acho lindo a pessoa ser organizada a ponto de manter uma agenda física, e decidi comprar uma para tentar começar 2019 com a cabeça no lugar. Encontrei uma lindinha na internet, que tinha o bônus de ser resultado de uma iniciativa para arrecadar dinheiro para uma instituição com ações contra violência doméstica. Era a agenda perfeita. Até que eu a comprei.

Não digo isso pela agenda em si. Ela ainda é linda e perfeita e eu ainda a quero muito. Só que já entramos em 2019 há alguns dias e nada de a agenda chegar. Estou anotando compromissos e tarefas em um caderninho "como se fosse" minha ansiada agenda. Só que não é.

É claro, pode ser que eu tenha ficado mal-acostumada durante o tempo que estive fora. Nos EUA, tudo o que eu comprava pela Amazon chegava em dois dias. Cravado. Eu sei que, no nosso contexto, querer que as coisas cheguem em dois dias é exagerado, mas acho que um produto ficar mais de vinte dias com a transportadora é um pouco excessivo, mesmo em época de festas de fim de ano. Fiquei preocupada.

Mas o pior não foi isso, claro que não. Porque 2019 é um ano malicioso e dissimulado e quer ver como vou reagir a essas pequenezas. Então, no dia 2 de janeiro eu abri o site da transportadora e encontrei a indicação de que a agenda tinha sido entregue. Até dia 1 essa informação não estava lá. No dia 2 apareceu a informação de que ela tinha sido entregue em 27 de dezembro. Não foi – eu estava em casa, vigiando o portão, eu saberia. Entrei em contato com a loja, que vai entrar em contato com a transportadora, para decidirem o que fazer. Mas até que eu receba minha agenda, lá se foi janeiro e meus planos de começar 2019 com uma organização diferente. Estou tentando, juro. Mas o universo está conspirando contra, testando minha paciência. Nessas horas, tento focar no fato de que isso é nada, é menos que nada, é um teste de 2019 – que, já disse, é um dissimulado. Porque é só uma agenda atrasada. Tem crianças com pensão atrasada, e mães se matando para conseguir o sustento delas. Tem pessoas com direitos atrasados – coisas que já tinham que ter sido garantidas constitucionalmente há anos. Tem gente com direitos sendo tomados por governantes insensíveis. Não vou perder a paciência por uma agenda – ainda que eu quisesse ser essa pessoa organizada que tanto anseio. Até porque, como eu disse, uma das três coisas que mais me chamam a atenção em uma pessoa é a empatia – se colocar no lugar do outro, sentir com o outro, compadecer. Por mais que eu queira ser organizada, ainda prefiro ter um bom coração e dar a cada preocupação nada além de sua devida importância. (Mas escrevam meu nome à mão – eu realmente adoro).

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