Em julho, o congolês Felix Kaputo completou um ano de residência no Brasil, na qualidade de primeiro escritor refugiado acolhido pelo país, através da UFMG. Ele virá ao Rio de Janeiro participar, em 15 de agosto, do ciclo "A palavra fora do lugar: escritores refugiados e em risco" no CCBB-RJ.

Kaputo veio para o Brasil mediante acordo entre o ICORN, órgão internacional criado por S. Rushie para proteger escritores em risco, em convênio com Cabra (Casas Brasileiras). São ao todo 12 anos de exílio de sua terra natal, a República Democrática do Congo, onde esteve preso.

A ideia é que a vinda dele desperte o interesse de outras instituições em acolher artistas em risco - são cerca de 1000 cadastrados.

Felix Kaputo nasceu na República Democrática do Congo, a qual, após ser detido ilegal injustamente – sendo solto após pressão da Anistia Internacional, da comunidade acadêmica internacional e da imprensa -, decidiu deixar em 2006. É professor universitário, escritor, doutor em Literatura Inglesa e Literatura Comparada, e atualmente encontra-se como residente na UFMG, devido ao acordo da universidade com a International Cities of Refuge Network (Icorn), uma rede de cidades e regiões que acolhe escritores e artistas refugiados que sofrem com a falta de liberdade de expressão em seus países de origem.

Além de falar onze línguas, o congolês já esteve em diversos países e universidades. Escritor de livros acadêmicos e de ficção, já publicou Power: exquisite meat! (Xlibris, 2011), Jo-Mary: black free Slave (Xlibris, 2010) e K-Triangle de la mort: descente aux enfers (Presses Universitaires du Nouveau Monde, 2013).

O ciclo "A palavra fora do lugar: escritores refugiados e em risco", patrocinado pelo Banco do Brasil, discute temas como: efeito do bilinguismo na escrita de autores afastados compulsoriamente do país natal; diálogo entre tradições literárias; confronto, no processo criativo, entre territórios físicos, culturais e linguísticos; conexão com a condição humana, em sua solidão; engajamento político. "A literatura, como outros campos, se renova na quebra de convenções. Contextos extremos de violência física e psíquica são subvertidos quando o escritor não desiste, a ponto de aprender outra língua e se expressar, com força e criatividade" comenta Clarisse Fukelman, do Departamento da PUC-Rio e curadora do ciclo. Pela primeira vez no Brasil, um projeto reúne leque tão representativo de escritores refugiados da Ásia, África, Europa e América Latina.


NO BRASIL. Félix Kaputo é pesquisador renomado sobre África, em particular no campo da opressão em relação às mulheres, HIV e religião comparada. — DIVULGAÇÃO

Participe e comente