Jogador de vôlei ou cantor de ópera? Os dois. Há cinco anos, o jogador de voleibol Victor Alcântara encontrou no esporte a paixão pela música clássica. Em Maringá, o atleta de São Paulo, onde joga pelo Corinthians-Guarulhos, participa dos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs).

"Eu já jogo desde 2012. Eu tinha um desejo muito grande de praticar o esporte, aí, comecei a pegar no pé da minha mãe para correr atrás comigo, porque meu pai era jogador e sempre me espelhei nele. Um dia, minha mãe pesquisou e descobriu um teste em Campinas-SP. Marcaram um teste comigo, quando me viram, ficaram surpresos com meu tamanho, 1,90 m de altura e disseram que eu era um diamante a ser lapidado", conta.

Na música, o atleta descobriu o gosto pela ópera com a influência de um técnico italiano, que ouvia o tempo todo canções eruditas. "Ele ouvia vários cantores como Andrea Bocelli, eu tenho o ouvido muito bom para música, quando me dei conta, já estava cantando ópera como os cantores. Até me impressionei, não sabia que conseguia cantar notas tão altas", conta.

Alcântara ainda afirma que sua mãe ficou tão surpresa com o dom, que falava para todos e pedia para o filho cantar para os amigos e familiares. "Nossa, minha mãe começou a falar pra todo mundo que eu cantava ópera e as pessoas no começo achavam estranho né, geralmente pensam em alguém de terno, formal e eu totalmente oposto, até brincava falando que estava rouco e que não dava, mas as pessoas sempre insistiam", diz.

Com a classificação vocal de um tenor, Victor conta que aprendeu somente ouvindo e nunca fez nenhuma aula de canto, bastava somente prestar atenção nas letras e praticar muito. "Eu hoje tenho vontade de aperfeiçoar, não consigo me ver sem cantar. Estou toda hora fazendo isso, é ganhando um jogo, lavando uma louça, as pessoas acham até engraçado, mas agora eu estou participando do grupo de louvor na igreja onde frequento, então, sim, estou buscando cada vez melhorar", completa.

O atleta até pensou em desistir do esporte e da música, por serem duas categorias bem diferentes, mas percebeu que era possível conciliar dois assuntos tão diferentes. "Já pensei em desistir dos dois, com medo de não dar certo, ou não achar alguma alternativa para conciliar. Às vezes, as pessoas falavam que eu tinha que desistir do vôlei, e focar só na música, outros diziam o oposto, mas percebi que não. Hoje, vejo que os dois fazem parte de mim e não sei viver sem", afirma.

TENOR. Victor Alcântara conta que o importante é fazer o que gosta e nunca desistir; além do vozeirão para a ópera, ele é destaque nas quadras de vôlei pelo Corinthians-Guarulhod. JOÃO PAULO SANTOS

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