A graduação a distância tem ganhado espaço no Brasil. Levantamento mais recente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Estado do Paraná (Sinepe-PR) mostra que, entre 2010 e 2015, o número de matrículas na rede de ensino a distância (EAD) subiu 76,41% no Estado, enquanto os cursos presenciais avançaram 16,30%. Em Maringá, o avanço ainda é modesto: no mesmo período, o crescimento de matrículas na modalidade a distância foi de 17,96%.

Com a adesão maior, o mercado passou a receber mais profissionais graduados em cursos do tipo e, em alguns casos, eles são até mais visados que os formandos de cursos presenciais. A consultora de recrutamento Andressa Spagnolo afirma que, embora os recrutadores não diferenciem um e outro no momento da seleção, alguns empregadores até preferem estudantes do EAD.

"Depende muito da vaga. Se for para um trabalho home-office, por exemplo, pode ser mais interessante contratar um profissional que já tem essa vivência. E o estudante de EAD também já tem que ter certa disciplina para cumprir as tarefas no prazo", explica.

O professor e coordenador do Núcleo de Educação à Distância da Unifamma, Givago Dias, concorda com Andressa e acrescenta que outras habilidades desenvolvidas durante a graduação se destacam no mercado de trabalho: "o profissional desenvolve mais competências de cunho individual, porque o processo de aprendizado foi tecnicamente individual. Ele tem maior autonomia, um perfil empreendedor, sabe trabalhar bem sozinho e o desafio da formação é também fazê-los não apenas receptores da informação, mas agentes ativos do conhecimento, buscando sempre o suporte do professor, indo além dos materiais didáticos".

Para Dias, a graduação nas duas modalidades é equivalente em termos de qualidade de conteúdo e aprendizado, variando apenas em relação ao canal utilizado. "A informação e a educação são diagramadas dentro de um perfil tecnológico, por computador, gadget ou qualquer instrumento dentro desse contexto", explica. "O único ponto em que o curso presencial supera o EAD é na questão da interatividade, já que o professor nem sempre consegue responder às dúvidas na hora", completa. Outro ponto citado por ele é que a graduação presencial trabalha mais competências coletivas e o trabalho em grupo.

Estudo e trabalho

Apesar de ser um desafio, a autonomia para gerir o horário e o local de estudo é também um motivo pelo qual estudantes procuram a EAD, a fim de conciliar trabalho e faculdade. Esse é o caso da gestora comercial Jaqueline Pereira Jupi, que se formou no final do ano passado. "O profissional já escolhe a EAD para poder também se inserir no mercado. Geralmente, são pessoas com experiência e conhecimento prático, pois, ao mesmo tempo em que está incluído no Ensino Superior, também está participando do dia a dia do mercado, está sempre atualizado", conta. Ela diz que sempre trabalhou na área de comércio e buscou algo dentro do mesmo "universo" para ajudá-la a se destacar, sem precisar deixar o emprego.

Para a consultora Andressa Spagnolo, a estratégia é bem vista pelo mercado, já que a graduação, em si, não é prova suficiente de capacidade técnica. "Hoje, ter um diploma não é garantia de trabalho como era antigamente. O estudante diferenciado é aquele que já está fazendo estágio, aprendizagem ou algum outro contato com o mercado durante a graduação."


DISCIPLINA. Autonomia para gerir horário e local de estudo é desafio e também qualidade. — MARCOS SANTOS/AG. USP

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