Os financiamentos imobiliários com recursos da poupança (SBPE) e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) totalizaram R$ 101 bilhões no ano passado, montante 12,2% menor do que o registrado em 2016, de R$ 115 bilhões, de acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

Foram financiados, conforme a entidade, 175,62 mil imóveis nas modalidades de aquisição e construção no exercício passado, número 12,1% inferior ao registrado 12 meses antes, quando o setor financiou 199,69 mil unidades.

Do volume total financiado em 2017, a linha com recursos da poupança somou R$ 43 bilhões, declínio de 7,4% ante 2016. Já a modalidade FGTS foi a R$ 58 bilhões, recuo de 15,5%, na mesma base de comparação.

No mês de dezembro, os financiamentos imobiliários somaram R$ 3,68 bilhões, conforme a Abecip, baixa de 31,6% ante o mesmo mês de 2016. Na comparação com novembro, porém, houve alta de 17%. O número de imóveis financiados foi a 14,6 mil unidades no último mês de 2017, queda de 28,7% e aumento de 8,2%, respectivamente.

O presidente da Abecip, Gilberto Abreu, diz que o cenário de juros menores e com tendência de queda e inflação sob controle são positivos para o segmento. No que tange ao preço, Abreu destacou que o mercado imobiliário sofreu, mas que há um início de inflexão "sutil" no setor. "Esperamos que os preços retomem, ao menos em termos nominais, para acompanhar a inflação", destacou ele, em conversa com a imprensa.

Abreu reforçou ainda a queda dos distratos que, segundo ele, mostra o "fim de um ciclo". Sobre a poupança, que ele classifica como a "gasolina" do mercado de financiamento imobiliário, ele disse que a expectativa é de entrada de recursos nas cadernetas em 2018, assim como já ocorreu no ano passado em meio ao cenário de queda dos juros, o que torna esse veículo interessante para as pessoas.

Restrição

As restrições de capital e funding da Caixa Econômica Federal já impactaram o mercado de financiamento imobiliário em 2017 e podem afetar as projeções de desempenho neste ano, de acordo com o presidente da Abecip. "Vai depender de quão rápido o banco público vai resolver essas questões. Se conseguir equacioná-las e voltar rapidamente ao setor, a Caixa pode até beneficiar o segmento em 2018", avaliou ele.

Enquanto isso, conforme Abreu, os bancos privados, que já ocuparam maior espaço no financiamento imobiliário, devem continuar abocanhando uma maior fatia do setor em 2018. Ele lembrou que a Caixa tem abrangência geográfica grande e a maior cobertura nacional em financiamento imobiliário no Brasil.

Considerando apenas o desembolso feito em 2017, o banco público seguiu na liderança do financiamento imobiliário com recursos da poupança, respondendo por 38,1% do crédito para aquisição e construção, com um total de R$ 16,4 bilhões. Na sequência, estiveram Itaú Unibanco (19,8%, R$ 8,5 bilhões), Bradesco (18,3%, R$ 7,9 bilhões), Santander (14,4%, R$ 6,2 bilhões) e Banco do Brasil (6,4%, R$ 2,8 bilhões).


EXERCÍCIO PASSADO. Ao todo, 175,62 mil imóveis nas modalidades de aquisição e construção — ARQUIVO DNP

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