"Prefeito, o senhor pegou R$ 500 mil? A população quer saber. Essa é uma denúncia grave que deve ser apurada", disse em tribuna o vereador William Gentil (PTB), na sessão da Câmara Municipal de Maringá desta terça-feira, 23, que ainda defendeu a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a veracidade das informações de um áudio que caiu nas redes sociais em que o ex-coordenador de Projetos Governamentais da Prefeitura de Maringá, Marcos Meger, diz ter levado R$ 500 mil em dinheiro para o 'caixa 2' da campanha do prefeito Ulisses Maia.

Além disso, um grupo de vereadores foi até o Ministério Público Eleitoral após a sessão ordinária acompanhar o estudante de Direito, Eduardo Lanza, 20, que protocolou denúncia sobre o caso. "Me senti indignado", afirmou o estudante de Direito, de 20 anos. "Fiz meu papel de cidadão". Ele justifica que tomou a iniciativa ontem (22) à noite com ajuda de amigos advogados. Lanza refletiu que os vereadores demorariam para tomar a iniciativa e decidiu por conta própria. Ele ainda cita que votou em Ulisses Maia no segundo turno das eleições municipais, depois de trabalhar como voluntário para Wilson Quinteiro no primeiro turno. "Queria uma mudança, mas não estou me sentindo representado agora", lamenta.

Lanza protocolou dois documentos hoje, um na Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, por volta das 9 horas, e outro no Ministério Público Eleitoral, no início da tarde. Esse segundo foi acompanhado pelos vereadores William Gentil, Do Carmo (PSL), Homero Marchese (PROS) e Chico Caiana (PTB). Lanza cursa o segundo ano de Direito na Faculdade Cidade Verde, em Maringá.

Gentil informou que os vereadores farão uma solicitação formal para que o Ministério Público se pronuncie sobre o fato e só então darão encaminhamento à CPI.

Áudio

No áudio, Meger reclama com o irmão do prefeito sobre uma postagem feita por uma prima e ainda diz que não merece ser humilhado por outro irmão. "Pra ir pra campanha levar R$ 500 mil em dinheiro, caixa dois, vocês ficaram felizes. Agora ficam me infernizando".

Vídeo
Logo após o vazamento do áudio nas redes sociais, Meger gravou um vídeo em que se diz "chateado" sobre o áudio. "Quem me conhece sabe que brinco muito, nunca participei da campanha", diz na abertura. "Vim aqui pedir desculpas pelo transtorno que causei por uma brincadeira".

Ele ainda afirmou que teria "tomado umas e remédio para dormir". Na semana passada, após a repercussão do caso, a Prefeitura de Maringá exonerou Meger do cargo.

O outro lado
Em nota, a administração municipal "se posiciona com serenidade diante das tentativas de dar dimensão a uma 'brincadeira', como admitiu o ex-Coordenador de Projetos Governamentais Marcos Meger, exonerado de cargo em comissão, ao fazer referência a irregularidades eleitorais em áudio. Num segundo áudio, Marcos Meger admite ainda que no dia da primeira gravação tinha 'tomado umas a mais e remédio para dormir', desculpando-se em seguida pelo 'transtorno', como ele próprio definiu. Portanto, o episódio é explicado próprio autor, que reitera tratar-se de brincadeira. Administração municipal está à disposição para esclarecer eventuais dúvidas sobre o caso nas instâncias em que for solicitada."


INVESTIGAÇÃO. Ulisses Maia, prefeito de Maringá, e Marcos Meger, ex-coordenador de Projetos Governamentais da prefeitura; denúncias foram feitas após vazamento de mensagem por rede social.

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