Há otimismo em relação às perspectivas para o setor imobiliário em 2019. E alguns sinais concretos permitem as apostas de uma recuperação mais robusta. Em evento na capital paulista, Tiago Galdino, diretor executivo do ImovelWeb, um dos maiores portais de venda e aluguel de imóveis do País, revelou que houve um aumento de 35% nas buscas de unidades que estão à venda.

O avanço foi detectado de janeiro a setembro deste ano em comparação com igual período do ano passado. Os dados são representativos, afinal saem de uma base de mais de 3,5 milhões de anúncios. As razões que possam justificar esse movimento são as mais diversas, e vão desde a percepção de que os preços dos imóveis deixaram de cair até o aumento do teto no valor do imóvel para R$ 1,5 milhão a ser financiado pelo Sistema Financeiro da Habitação. "Os preços bateram o fundo do poço e a tendência agora é de valorização", afirma Galdino.

O executivo lembra que as incorporadoras estão mais agressivas para desovar seus estoques nesse fim de ano, com diferentes tipos de promoção. O consumidor está sendo convidado a verdadeiros festivais de venda nesses próximos fins de semana, com viagens oferecidas para quem adquirir um apartamento novo. Segundo ele, o momento é oportuno para a compra tanto em termos de oferta de imóveis como pelo nível atual de preços, o que dá margem mais ampla de negociação a quem está interessado em comprar. "Não há dúvidas de que os preços tendem a subir, a questão é a velocidade com que isso vai acontecer".

O estrategista da XP Investimentos, Marco Saravalle, também presente no evento, aposta igualmente na recuperação do mercado imobiliário e ressalta que "o pior ficou para trás". Em suas projeções, não será em 2018 que o setor da construção civil sairá da recessão, mas já é possível vislumbrar um crescimento de 0,7% em 2019, de 2,3% em 2020, e de 2,7% no ano seguinte.

Saravalle afirma que a reação do mercado de imóveis vem na esteira da recuperação do emprego, da renda, um processo que foi interrompido e retardado após a greve dos caminhoneiros em maio e junho deste ano. No entanto, o consumidor final tem emitido sinais de retomada da confiança, com menos temor de sair para adquirir um imóvel.


Estratégia

O estrategista evidencia que o País inicia 2019 com grandes desafios. O principal deles é o controle da dívida pública que passa necessariamente pela Reforma da Previdência. Existe um colapso à vista e em um prazo relativamente curto de tempo: "Se nada for feito, em 2026, de cada R$ 4 arrecadado pelo governo R$ 3 obrigatoriamente terão de ser destinados à Previdência Social".

Outras distorções foram apontadas na economia que, se enfrentadas, contribuem para a redução do deficit público, segundo o analista. Trata-se do número de estatais, nada menos que 418, enquanto na Suíça são 4; no Japão, 8; nos Estados Unidos, 16; na Holanda, 29: e para ficar com um país vizinho, no Chile são 25. Não deixa de ser uma boa discussão.

Participe e comente