O retorno obtido com aluguel de um imóvel já vem superando o rendimento da caderneta de poupança, segundo levantamentos do portal Imovelweb, um dos maiores do País, com base em seus mais de 3,5 milhões de anúncios. Segundo a gerente de Marketing da empresa, Angélica Quintela, esse rendimento está em torno de 5,1%, enquanto a caderneta acena com rentabilidade de 4,55%, enquanto o juro básico da economia, a Selic, estiver em 6,5% ao ano.

Isso permite dizer que volta a compensar empregar o dinheiro em um imóvel na expectativa de um rendimento com aluguel em vez de deixá-lo aplicado na poupança. Como os aluguéis tiveram reajuste negativo por um bom tempo, o retorno ao proprietário foi inferior ao pago pela caderneta. Mas nesse ano, com o avanço da inflação e, portanto, dos índices que corrigem os contratos de locação, o reajuste já está em torno de 10%, devolvendo os atrativos no investimento em imóveis.

Ela explica que para calcular a remuneração de um imóvel basta dividir o valor de venda desse imóvel pelo valor do aluguel. Por exemplo, um imóvel de R$ 800 mil para render 5,1% ao ano precisa render por mês R$ 3.400 ou R$ 40.800 em um ano.

O valor estável para a venda e o preço do aluguel em alta foram os fatores determinantes para que a rentabilidade dos imóveis atingisse o atual patamar. Essa relação já vem sendo alcançada em várias localizações em São Paulo.

Mais indicadores

A gerente ressalta que o mercado imobiliário está dando sinais de vida e, na sua opinião, em função da discreta retomada da economia, com um nível mais alto de confiança do comprador. "É possível identificar uma pequena alta nos preços dos imóveis que, claramente, pararam de cair". Ela lembra que a perspectiva de elevação no valor do imóvel a ser financiado pelo Sistema Financeiro da Habitação, a partir de janeiro de 2019, também age como estímulo para que os interessados passem a procurar por unidades para aquisição.

A reação é mais acentuada, pela pesquisa Imovelweb, entre os imóveis de até R$ 300 mil, "os mais procurados por uma classe média que perdeu poder de compra e migrou para unidades de menor valor", pontua Quintela. Também há demanda por imóveis de alto padrão, acima de R$ 1 milhão, sendo que a paradeira ainda persiste entre moradias na faixa entre R$ 500 e R$ 800 mil, a que atendia mais a classe média antes da crise econômica. No segmento de imóveis comerciais, a demanda maior é igualmente por unidades de alto padrão, acima de R$ 1 milhão.

Em cidades maiores, há que se destacar a procura por apartamentos de um dormitório ou estúdios na região central e sem garagem. Os programas de revitalização do centro explicam o crescimento de interesse por esse bairro. Na análise da gerente, ter carro não é mais prioridade para muita gente e sim morar próximos a centros comerciais para não ter de se deslocar, ou ainda utilizar a ciclofaixa, daí o espaço para crescimento de demanda por essas unidades sem garagem. O uso de serviços de carros compartilhados pelo Uber, Cabify ou 99, entre outros, também contribui para a formação do novo perfil do consumidor em relação à mobilidade. Quando se trata de compra de apartamento, a demanda mais acentuada é pelos de 2 dormitórios (38%). Já quando se trata de casa, o interesse é pelas unidades de 3 dormitórios (47%).


MENORES. Apartamentos de um quarto em regiões centrais são os preferidos de quem aluga. — RICARDO LOPES

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