O trânsito de Maringá caminha a passos cada vez mais lentos – a média é de 0.75 veículos para cada habitante, "muito mais carros que pessoas habilitadas", afirma o secretário de Mobilidade Urbana, Gilberto Purpur. A cidade de 407 mil habitantes disputa os espaços urbanos com uma frota de 312.507 veículos (julho/2018). "Não temos congestionamentos nas vias, e sim, pontos de lentidão", diz. E muita coisa tem sido feita para reduzir o tempo gasto de casa ao trabalho e vice-versa.

A ideia é reduzir cada vez mais as vagas de estacionamento em trechos de muito movimento, como aconteceu na Avenida 19 de Dezembro e ainda proibir as conversões à esquerda, isso ajuda a dar mais fluidez no trânsito. Os corredores de ônibus recentemente implantados nas Avenidas Morangueira e Kakogawa, também contribuem para evitar a lentidão em horários de rush (7h30 às 8h e 17h45 às 18h30).

"Até mesmo o horário de funcionamento do comércio precisa ser repensado, em Curitiba, já funciona entre as 10h e 19h, e isso ajuda a evitar o excesso de carros nas ruas", afirma Purpur. Os motoristas reclamam, mas na opinião do secretário, as vias em Maringá, são bem sinalizadas, e o excesso de acidentes é provocado pela falta de respeito e imprudência. "Os motoristas não respeitam as faixas de pedestres, as placas de 'Pare', a velocidade - se você está em uma fila de banco tem que esperar a sua vez, no trânsito é a mesma coisa", cita.

Na Pasta, muito projetos estão em andamento, como a construção de um viaduto na rotatória no alto da BR-376 com a PR-323. E novas ligações na Zona Norte, na região da UEM – Avenidas Alício Campolina e João Pereira, seriam importantes para melhorar o fluxo. "Os estudos para a duplicação do Contorno Sul, estão adiantados, é um projeto de R$ 250 milhões", explica.

Enquanto as melhorias não se concretizam, muitos motoristas enfrentam a demora e o risco de perder a paciência. "Você nunca está em um congestionamento, você é o congestionamento", frase que Purpur faz questão de relembrar. Mas quem aguarda ansiosamente por um viaduto é o auxiliar de laboratório, Elinton Gonçalves, de 34 anos, ele é morador de Mandaguaçu e trabalha em Maringá. "Quando volto para casa, levo cerca de 40 minutos até chegar à rotatória da BR-376 com a PR-323 (Catuaí)", é bem cansativo.

O motorista do aplicativo Uber, Wilson Andrade, de 52 anos, veio de Fortaleza (CE) ao Paraná, e considera o trânsito de Maringá, um dos mais lentos em relação às cidades do mesmo porte. "Conversão à esquerda não existe em nenhum lugar, a gente tem que fazer o retorno", diz.

E tem gente que prefere a bicicleta, para ir e vir, caso do mecânico Paulo Sérgio Gonçalves, de 39 anos, que faz 10 quilômetros todos os dias. "A ciclovia é mais segura, mas, muitos motoristas não respeitam o ciclista", confessa. O comerciante Carlos Rodrigues, só observa pelas vidraças da padaria, os acidentes na esquina do estabelecimento. "Neste trecho é comum a imprudência no fim do dia", diz. O local é um dos mais movimentados, cruzamento entre as avenidas Pedro Taques e Bento Munhoz da Rocha, perto do centro, especialmente em horário de pico.


DUAS RODAS. Paulo Sérgio Gonçalves faz o trajeto de ida e volta ao trabalho de bicicleta, para ganhar tempo; pistas ficam congestionadas em horários de pico. — JOÃO PAULO SANTOS

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