A pioneira Juvildes Galli, 83, adorava trabalhar com artesanato ajudando, principalmente, em organizações de festas em Maringá. Nascida na cidade gaúcha de Guarama, em 26 de dezembro de 1934, ela veio para Maringá com a família em 1951, quando tinha 17 anos.

A família fundou uma das primeiras oficinas mecânicas da cidade, a Oficina Irmãos Galli e desde então, passou a fazer parte da história de Maringá. Em 1970, Juvildes se tornou professora de Artes no Sesc onde lecionou por 20 anos, dedicando a vida ao ensino de um artesanato que refletia não apenas os dons dos muitos alunos, mas também traduziam a cultura da Cidade Canção.

Nesse ambiente cultural, Juvildes fez mais que se dedicar às artes plásticas, ajudou também a organizar o primeiro Festival de Música Cidade Canção (Femucic). A decoração do palco, dos ambientes onde ocorriam as apresentações, sempre ficava por conta dela.

Adorava narrar, para as sobrinhas e sobrinhos, as inúmeras histórias que vivenciou, como os grandes bailes no Aero Clube, as festas no Grande Hotel, a construção da Catedral, os vários filmes que assistiu no primeiro cinema da cidade. O que mais dona Juvildes contava era sobre a queda do avião em 1950, no centro de Maringá. Descrevia também as ruas de terra vermelha que fez, muitas vezes a pé, e a fundação da Universidade Estadual de Maringá.

Em todos esses anos acompanhava de pertinho tudo que envolvia a cidade. Dona Juvildes amava tanto Maringá que até dedicou alguns versos de suas inúmeras poesias. "Escolhi está cidade para morar; Eu pensei ter adotado Maringá; Mais foi ela quem me adotou".

Dona Juvildes morreu no último dia 7. Ao fazer uma cirurgia da fratura do fêmur, acabou não resistindo e sofreu uma embolia pulmonar. Era solteira convicta, sempre a frente do seu tempo, não deixou filhos, mas deixou muitos registros da história de Maringá que presenciou e vivenciou.

Participe e comente