A Secretaria de Saúde de Maringá convocará o Hospital do Câncer e o Hospitalo Santa Rita para prestar contas à prefeitura no dia 11 de janeiro. A convocação foi anunciada na manhã de hoje (8) pelo secretário de Saúde, Jair Biatto, em entrevista coletiva no auditório da Secretaria.

Um dos motivos seria a suspeita de cobranças indevidas de procedimentos de oncologia (tratamento contra o câncer), investigados em auditoria feita pela Secretaria de Saúde, que passariam de R$ 600 mil. "Esse é o papel do gestor público. Controlar os gastos", justificou Biatto. "Não adianta o prestador público ou privado usar o paciente como forma de pressão."

Ele rebateu os questionamentos do Hospital do Câncer sobre atraso no pagamento e garantiu que o atendimento a pacientes de oncologia não será prejudicado em Maringá. Até mesmo se o Hospital do Câncer não atender, o secretário garantiu que outros hospitais já foram consultados para garantir o atendimento aos pacientes.

Biatto mencionou rapidamente um exemplo de suspeita de cobrança indevida, em que o procedimento no valor de R$ 14 mil teria custado quase 33 vezes mais ao município, R$ 460 mil, mas não detalhou sobre o procedimento que teria sido realizado pelo Hospital do Câncer.

O secretário disse que há outras cobranças suspeitas, cuja soma ultrapassaria R$ 600 mil. A Secretaria de Saúde pede informações para os prestadores de serviço (hospitais) em oncologia sobre estrutura, operacional e finanças para o atendimento no segmento. A reunião de reavaliação dos serviços será no dia 11 de janeiro, às 9h, na Secretaria de Saúde de Maringá.

Outro lado

O diretor executivo do Hospital do Câncer, Martin Benitez Ramirez, disse que não há irregularidade e que todos os pacientes encaminhados ao hospital têm autorização da Secretaria de Saúde. Após o atendimento, é feita uma auditoria e só depois a conta é enviada para a prefeitura. "Eu já avisei a prefeitura do deficit que temos e apresentei um dossiê", explica Ramirez, que teve reunião com o vice-prefeito Edson Scabora no começo de dezembro passado para tratar do problema.

O diretor garantiu que o hospital não deixará de atender pacientes, mas o que pode parar é o fornecimento de medicamentos que o hospital dá porque o Sistema Único de Sáude (SUS) não fornece aos pacientes em tratamento. Essa conta seria de R$ 156 mil e está dentro do valor cobrado pelo hospital de R$ 2,6 milhões de 'extrapolação'.

Internet

A polêmica começou na semana passada quando foi divulgado na internet que a prefeitura tem dívida com o Hospital do Câncer, que correria o risco de fechar. O secretário Jair Biatto explicou que a prefeitura sempre repassou as verbas para o Hospital do Câncer e continuará repassando. Mas que os valores anunciados são avalidos em auditoria, como de outros prestadores também.

Ele ressaltou ainda que os pagamentos estão garantidos porque não problema financeiro no caixa de prefeitura. O contrato entre prefeitura e Hospita do Câncer é de R$ 2,1 milhões mensais. Como houve aumento de 36% nos atendimentos em 2018, o gasto mensal médio do hospital foi de R$ 2,6 milhões, acumulando deficit no chamado "extrapolação".

Participe e comente