A Suprema Corte da Venezuela ordenou nesta quarta-feira, 8, a prisão do líder de oposição, Julio Borges, por supostamente planejar o assassinato do presidente Nicolas Maduro com drones explosivos no fim de semana.

Ex-presidente do Congresso, Borges vive no exílio na Colômbia e foi acusado de "crimes flagrantes", incluindo incitação pública, traição à pátria e tentativa de homicídio contra Maduro.

Além da prisão de Julio Borges, o tribunal também pediu a prisão de outro parlamentar, Juan Requesens, que a polícia deteve no dia anterior. A oposição diz que ele foi sequestrado em seu apartamento.

As medidas ameaçam aprofundar a crise política do país, na medida em que os parlamentares contrários ao governo de Maduro o acusam de usar o suposto ataque para reprimir mais seus opositores.

Em uma transmissão em cadeia nacional na terça-feira, 7, Maduro acusou Requesens e Borges de cumplicidade nas explosões de drones que ele alega serem um atentado contra sua vida. Maduro afirmou que confissões de alguns dos seis suspeitos presos anteriormente envolveram os dois legisladores, assim como os principais financiadores do ataque. O presidente também mostrou cartazes com nomes e fotos de outros suspeitos que, segundo ele, moram nos Estados Unidos e na Colômbia.

"Eu quero explicar ao governo dos Estados Unidos e da Colômbia todas as evidências que nos levam aos cúmplices ... que vivem no estado da Flórida", disse Maduro. "Eu confio na boa fé de Donald Trump."

Maduro disse que fornecerá evidências às autoridades dos dois países e pedirá sua cooperação para entregar suspeitos que ajudaram a orquestrar e financiar o ataque.


Oposição

Imediatamente após as explosões, críticos do governo socialista de Maduro disseram temer que Maduro usasse o incidente como uma desculpa para prender os oponentes enquanto tenta atenuar o descontentamento crescente com o devastador colapso econômico da Venezuela.

O opositor e vice-presidente da Assembleia Nacional, Julio Cesar Reyes, afirmou que apenas a Suprema Corte de Justiça tem autoridade para ordenar a prisão de um deputado, com a aprovação do Congresso. "Nossa constituição é clara."

EUA

O Departamento de Estado dos EUA não comentou sobre nenhum pedido de extradição feito pela Venezuela nesta quarta-feira.

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