A mulher acusada de injúria racial e ameaça contra o psicólogo Nilson Lucas Dias Gabriel, 26 anos, e sua irmã, uma adolescente, ainda não se apresentou à delegacia para prestar depoimento. O fato, que teve grande repercussão em Maringá, foi registrado no dia 11 de agosto, há mais de um mês. Ela chegou a ser intimada, mas não compareceu.

De acordo com Nilson, que cursa mestrado em psicologia na Universidade Estadual de Maringá (UEM), a mulher ainda voltou a procurá-lo outras duas vezes, incluindo ontem, 13. "Bateram na porta do meu apartamento, perguntei quem era, e não responderam. Fui até o olho mágico, não vi ninguém. Verifiquei com o porteiro e ele, por meio das imagens do setor segurança do condomínio, me confirmou que era ela", comenta.

De acordo com o delegado André Luiz de Oliveira Melo, do 4º Distrito Policial (DP), que acompanha o caso, a advogada da acusada entrou em contato com a delegacia e informou que sua cliente deverá se apresentar no início da próxima semana. "Foi instaurado um inquérito para apurarmos os fatos. Trata-se de injúria racial, ameaça e outras questões que vamos averiguar. O caso é sério. Se condenada, a pena pode chegar a até três anos de reclusão, além de multa. Vamos esperar para ouvir a versão dela", comenta.

A advogada do psicólogo, Ana Caroline Salvalajo Dechichi, comentou que irá encaminhar a denúncia tanto em esfera criminal, como civil. "Estamos acompanhando. Abalo moral gratuito, apologia ao ódio, descriminação racial... São muitas coisas envolvidas. Não podemos ficar apáticos com uma situação dessa", destaca.

A reportagem tentou contato com a advogada da acusada no decorrer da tarde de ontem, mas até o fechamento desta edição, nenhuma das ligações foi atendidas.

O caso

Nilson e sua irmã mais nova sofreram ataques racistas de sua vizinha, no Condomínio Iguaçu II, no Parque Residencial Cidade Nova. Os dois estudantes guardam suas bicicletas em um espaço destinado a elas, no local de seu respectivo ao apartamento. Na data dos fatos, a condômina se queixou das bicicletas, alegando que ocupavam parte de sua vaga na garagem, e passou a proferir ofensas racistas à adolescente, que estava sozinha no apartamento. Depois, ainda falou mal de ambos, em uma oportunidade em que o mestrando estava em casa. "Todas as ofensas tratavam da nossa cor. Fomos chamados de macacos, entre outros nomes. Uma briga sem fundamento, porque as bicicletas estavam em seus devidos lugares, e os insultos foram totalmente descabidos, regados de preconceito e raiva por sermos negros", comenta.

Lucas disse que a mulher já havia reclamado para um dos porteiros do prédio, e o servidor disse que o espaço onde estavam as bicicletas, era o correto. Um áudio gravado por Nilson tem todos os insultos feitos pela mulher. Temendo por sua integridade física e da irmã, ele procurou a delegacia e registrou queixa.


PRECONCEITO. O psicólogo Nilson Gabriel e a irmã adolescente foram agredidos pela vizinha


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