Muito se tem falado de Machine Learning, conceito de Inteligência Artificial que implica no aprendizado das máquinas - quando elas passam a executar tarefas antes realizadas por pessoas. Longe da discussão sobre o impacto social e cultural que os robôs vão causar em nossas vidas, e mais longe ainda da ideia romantizada dos filmes que humanizam essas máquinas, vale dizer que o impacto profissional da Inteligência Artificial no mercado de trabalho deve ser bastante considerado. Não se pode negar que um algoritmo, um robô ou qualquer outra tecnologia dotada de inteligência pode contribuir muito nos negócios, especialmente na gestão de projetos.

Na etapa de planejamento de um projeto estabelecemos de antemão fatores que podem influenciar a gestão de tempo, custos, riscos, escopo, qualidade e comunicação. No livro "Projeto 66", deixo claro que o planejamento de tempo é uma das primeiras atividades a serem realizadas logo após a fase de iniciação - quando temos um sinal verde para dar o start no projeto. É fundamental planejar o cronograma, definindo quais atividades serão realizadas, quem as realizará, em que sequência e em qual prazo. Também é necessário um controle rígido sobre esse cronograma, haja vista que qualquer alteração nessas atividades poderá alterar o resultado esperado. A Inteligência Artificial exerce um papel importante nesse contexto.

Economia de tempo é um indicador que já vem impactando muitos projetos, porque em alguma medida está diretamente relacionado com redução de custos. A Machine Learning não vai apenas automatizar tarefas simples, mas compreender pontos estratégicos da gestão de projetos e ser capaz inclusive de fazer sugestões mais complexas ou até tomar decisões. Especificamente, será fundamental em termos de controle, gestão de indicadores e previsão de resultados.

Para se ter uma ideia do quanto esse avanço tecnológico contribui efetivamente com cada etapa de um projeto e, na ponta, com a própria gestão do projeto, a partir de dados que vão sendo processados e cruzados, novas métricas e informações estratégicas vão sendo geradas, possibilitando deslocar profissionais-chave para outros projetos. Ou seja, um robô assistente é capaz de avaliar o desempenho individual de cada membro envolvido numa determinada tarefa, analisando também o andamento de seu trabalho em termos de qualidade, custos, prazo, esforço, aprendizado etc. Tudo isso feito de uma forma objetiva, sem espaço para interpretações malsucedidas e de um modo muito mais facilmente absorvido pela equipe de trabalho.

Quando se pensa em Machine Learning aplicada à gestão de projetos vislumbramos a Inteligência Artificial preenchendo espaços que até então eram deixados em branco. Afinal, novos dados vão sendo gerados e transformados em informações que faltavam - ou até mesmo que nunca haviam sido consideradas em sua importância global para um projeto. Isso certamente acaba encorajando colaboradores e equipes a melhorar o nível de desempenho profissional, entregando resultados muito mais próximos do nível de excelência desejado. E quando, por qualquer razão (que certamente será apontada) isso não acontece, a própria tecnologia estará lá para detectar problemas e sugerir soluções de correção - ainda que complexas. Trata-se de um avanço muito significativo, útil e poderoso para as empresas.

*Fabio Luiz Braggio é especialista em Gestão de Projetos com mais de 30 anos de experiência, consultor e palestrante internacional do PMI (Project Management Institute) - www.flbinfo.com.br

MAIS SOBRE "PROJETO 66"

O livro conta em 100 páginas como o consultor Fabio Braggio usou sua expertise para encarar as etapas que enfrentou de moto no trajeto de Chicago a Los Angeles (Estados Unidos) - a cultuada Route 66. À venda nas livrarias Saraiva, Cultura e Martins Fontes Paulista, o livro lançado pela editora Giostri é totalmente ilustrado e prende a atenção tanto dos apaixonados por motociclismo, quanto daqueles que desejam conhecer novas aplicações de Gestão de Projetos.

Website: http://www.flbinfo.com.br

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