Existem várias doenças que causam dores intensas nas articulações, como artrite, febre reumática, rubéola, doenças autoimunes, lúpus e artrite reumatoide. Nessa categoria também está a gota, cujos casos vêm aumentando nos últimos anos. Segundo um estudo da revista médica americana Arthritis and Rheumatism, especializada em reumatologia, mais de 8 milhões de pessoas nos Estados Unidos sofrem da doença. A boa notícia é que uma alimentação equilibrada pode prevenir o desenvolvimento da gota.

A nutricionista Cláudia Nascimento, da Medcenter Policlínica Copacabana, tira algumas dúvidas sobre a doença, indica os melhores alimentos para consumo e ensina como controlar as crises de dor.

Gota é uma doença inflamatória que causa dor nas articulações. Os sintomas mais comuns incluem inchaço, vermelhidão e dor intensa ao movimentar uma articulação. Geralmente atinge mais os homens, e a área mais afetada está relacionada com o calcanhar, que pode doer ao caminhar, mas pode atingir os cotovelos também.

P.— Quais são as principais causas da doença?

R.— A gota é causada pelo excesso de ácido úrico, que leva à formação e ao acúmulo de cristais nas articulações, que causam dores fortes. A doença, que tem várias fases, pode levar ao estágio final, artrite gotosa. A gota não é uma doença contagiosa, mas o acompanhamento médico é fundamental para evitar a dor e a deformação articular.

P.— O que é ácido úrico e como ele pode ficar elevado no organismo?
R.— Primeiramente vamos falar de purinas, que são substâncias presentes em certos alimentos como carne vermelha, frutos do mar e peixes; certos grãos como ervilha, lentilha e feijão; em bebidas alcoólicas, principalmente cerveja; e também em nosso organismo, pois fazem parte de nosso material genético e são, ainda, responsáveis componentes de várias moléculas importantes para o metabolismo do organismo, como de ATP (molécula que fornece energia para as reações celulares). Em determinadas reações metabólicas, a purina é degradada na forma de ácido úrico. Parte dele permanece no sangue e o restante é eliminado pelos rins. Porém, sua alta concentração pode levar à formação de cristais, e pode haver o depósito desses cristais nas articulações.

P.— Como a alimentação pode fazer diferença nesse caso?
R.— Recomenda-se que o paciente evite os alimentos ricos em proteína em geral, já que ela atua no metabolismo da purina e tende a aumentar a concentração de ácido úrico no sangue. Isso faz com que haja cuidado ao iniciarmos determinadas dietas restritivas, como a Low Carb, que tem como fundamentos a restrição de carboidratos e o aumento no consumo de alimentos proteicos. Essa dieta deve ser seguida apenas com recomendação e acompanhamento de especialista, a fim de evitar consequências danosas ao organismo. Outra dica valiosa é beber, no mínimo, dois litros d'água por dia e evitar o excesso de bebidas alcoólicas, principalmente a cerveja.

P.— O que o paciente com gota pode ou não pode comer?
R.— Alimentos com grande quantidade de purina devem ser evitados, como extrato de carne; alguns cortes de carne bovina (coração, fígado, rins, miolo); vitela; carneiro; cabrito; galeto; peru; bacon; embutidos em geral; alguns peixes e frutos do mar (arenque, anchova, bacalhau, sardinha, salmão, mexilhão, camarão, ostra, lagosta, caranguejo e ovas de peixe) e bebidas alcoólicas. Pacientes que já tiverem ácido úrico elevado podem ter crises de dor caso consumam esses alimentos em excesso.
Alimentos que podem ser consumidos de forma moderada: 100 gramas por dia de carne bovina (alcatra, coxão mole e duro, patinho); 120 gramas de frango sem pele; 100 gramas de peixe (exceto os citados anteriormente); meia xícara de leguminosas como feijão, ervilha, grão-de-bico e lentilha; aspargos; cogumelos; espinafre e couve-flor; margarina; manteiga e chocolate.
Alimentos com baixo teor de purina que podem ser consumidos com mais frequência: frutas; café; leite desnatado; queijo frescal; iogurte desnatado; arroz; massas; pães; biscoitos; cereais; verduras e legumes (exceto os já citados); nozes; azeite; azeitona; pipoca e óleos.

P.— Há outras formas de desenvolver gota?
R.— Além dos hábitos alimentares, pacientes com histórico familiar têm mais chances, assim como os que sofrem de obesidade, hipertensão, colesterol alto e diabetes não controlados. Quem utiliza diuréticos com frequência e sem prescrição médica também compõe o grupo de risco.

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