Falar abertamente de uma doença que deixa marcas indisfarçáveis no corpo ainda surpreende, mas tem sido uma postura cada vez mais comum. É o que muitas pessoas com o vitiligo estão fazendo, esquecendo o preconceito e não se escondendo.

"Eu tinha sete anos de idade quando apareceu a primeira mancha. Convivo com o vitiligo há 30 anos. Me lembro de acordar numa manhã e colocar os pés no chão. Quando olhei para os meus pés, notei uma mancha branca no peito do meu pé direito que não estava lá. Toquei a mancha, não doía, não coçava. Ela era bem branca e tomava quase todo o peito do meu pé", é o que conta a professora de inglês, Elisa Cazorla, 37.

Elisa conta que na época em que descobriu o vitiligo seus pais acharam que era apenas micose e não deram muita importância, mas conforme o tempo passou, a mancha foi crescendo rapidamente. "Quando o vitiligo começou, fui levada num médico aqui em Maringá que diziam ser o mais indicado, no consultório, descobri que estava com o vitiligo", afirma.

Segundo a médica dermatologista, membro efetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia, da American Academy of Dermatology, Sineida Berbert, de Maringá, o vitiligo é uma doença genética, crônica e autoimune. "É uma doença crônica, onde as células de defesa do corpo atacam as células que dão cor à pele. Mas é importante esclarecer que não é contagiosa. Ele pode surgir em qualquer faixa etária, sendo mais frequente entre 10 e 30 anos. Acomete igualmente ambos os sexos, e em todas as raças. Apenas, as lesões são mais evidentes nos pacientes da raça negra", explica.

A médica ainda ressalta que o diagnóstico geralmente é clínico e um dos fatores que podem desencadear as lesões são estresse emocional, traumatismo físico, queimaduras solares entre outros.

"Com esses fatores é preciso usar certos medicamentos, mas o tratamento vai depender se o vitiligo encontra-se estável ou instável. Ou seja, se ele estiver piorando, é preciso utilizar medicamentos com ação imunossupressora para controlar a resposta do sistema imunológico. Agora, se está estável, a melhor resposta e com a "Fototerapia", um aparelho que regula a ação dos linfócitos da pele e ajudam na pigmentação", diz

"Não pigmentava"

Assim, como Elisa, o diagnostico chegou rapidamente para a social media, Ana Carolina Prado, 22, que descobriu a doença há quatro anos. "Descobri no final do primeiro ano da faculdade, tinha 18 anos. Surgiu uma mancha no rosto, e reparei que ao tomar sol essa região não pigmentava", conta.

Ana ainda relata que a mancha começou a crescer rapidamente e ela não sabia o que era. "Não conhecia ninguém com vitiligo, não sabia nada pra pensar. Fui atrás de uma dermatologista que me deu o diagnóstico. Tinha a opção de fazer o tratamento com foto terapia, mas falei que não me incomodava, vivo muito bem com as manchinhas. Hoje, tenho uma bem pequena no braço e na nuca".

Além dos tratamentos para combater a doença, o preconceito entra para a lista como uma das lutas diárias. Esse tipo de comportamento fez com que Elisa evitasse lugares em que as pessoas pudessem encará-la. Com o tempo, percebeu que não precisava ser assim "Não sou indiferente ao vitiligo, mas aprendi a conviver. Agora, não me privo de fazer coisas que quero muito só para evitar o constrangimento de algumas pessoas que ficam curiosas com a minha pele", diz.

Participe e comente