Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informam que o número de embriões humanos produzidos pelas técnicas de fertilização in vitro voltou a crescer em 2017, em relação ao ano anterior. Ao todo, foram registrados nas Clínicas de Reprodução Assistida 78.216 embriões congelados, um aumento de cerca de 17% da utilização dessa técnica no Brasil. As informações são referentes ao Relatório do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), que faz uma radiografia dos serviços de reprodução assistida.

Segundo a Anvisa, a Região Sudeste é a responsável por 65% dos 78.216 embriões congelados. A Região Sul tem 13%, a Nordeste, 12%), a Centro-Oeste, 8% e a Norte 2% finalizam a lista da distribuição, em porcentagem, de embriões criopreservados no ano de 2017.

Na Reunião Anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia, em Barcelona, foram revelados dados impressionantes sobre a reprodução assistida: desde julho de 1978, quando nasceu a menina Louise Brown, o primeiro bebê de proveta, já foram gerados mais de 8 milhões de crianças as técnicas de Reprodução Assistida. É uma área que não para de evoluir e as mais recentes pesquisas destacam a importância da preservação da fertilidade tanto masculina quanto feminina.

A infertilidade é um problema que atinge pelo menos 1 em cada 10 casais no mundo, até 10 milhões de pessoas só no Brasil. De acordo com estimativas do ESHRE, atualmente, mais de meio milhão de crianças nascem por ano por meio de procedimentos como fertilização in vitro, inseminação artificial e transferência de embriões.

O ginecologista, obstetra e especialista em reprodução humana da Clínica MAE em São Paulo, Alfonso Massaguer, esteve no congresso em Barcelona e destaca a relevância de alguns dos temas que foram apresentados. Um deles interessa especialmente às mulheres jovens que adiam uma gravidez para tratar doenças graves, como câncer, quando o risco de a mulher não conseguir engravidar é ainda maior.

As técnicas atualmente disponíveis para a preservação da fertilidade incluem supressão ovariana com GnRHa, estimulação ovariana e coleta de óvulos, criopreservação e transposição ovariana em casos de radiação do abdômen. Segundo a pesquisa divulgada em Barcelona, a estimulação ovariana para coleta de oócitos maduros é uma opção bem estabelecida para a preservação da fertilidade em mulheres em situação de risco e as chances de uma concepção posterior ao tratamento, usando esses oócitos criopreservados, dependem da idade mulher e do número de oócitos disponíveis.

Para Massaguer, a preservação da fertilidade, em mulheres que desejam adiar a maternidade seja por fatores sociais ou por câncer, é algo que precisa ser feito. ///Dino

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