No futuro, os veículos serão elétricos, híbridos ou a gás natural? E, se forem elétricos, a fonte de energia virá de baterias ou células de hidrogênio? Para a FPT Industrial (antiga Fiat Powertrain Technologies), não existe uma resposta única. A empresa italiana acaba de apresentar um conceito batizado de Cursor X. Trata-se, por enquanto, de uma ideia que reúne várias formas de locomoção em um único conjunto modular. A proposta da empresa é aproveitar o melhor de cada fonte de energia, de acordo com o tipo de uso ao qual se destina.

O modo 100% elétrico com baterias é visto pela empresa como solução ideal para veículos de entregas urbanas. Além de não poluir, é silencioso e, em um modelo comercial, tem autonomia de cerca de 200 km.

O modo híbrido conjuga duas formas de propulsão (a gás natural e elétrico) e dobra a autonomia (400 km).

Isso favorece o uso em percursos urbanos e intermunicipais. Já a modalidade elétrica alimentada por células de hidrogênio é vista como um boa possibilidade para transporte de longas distâncias.

De acordo com a presidente mundial da FPT, Annalisa Stupenengo, "pensar em apenas uma solução seria utópico". Daí o estudo que deu origem ao Cursor X, que, segundo ela, é uma "visão de futuro" que funciona. A executiva garante que o protótipo, com dimensão equivalente à de um motor de caminhão, foi testado.

Considerado pela FPT como uma "fonte de energia 4.0" (no sentido de tecnologia avançada), o Cursor X poderá ter uma ampla gama de utilização. Isso inclui de furgão de carga a trator, passando por ônibus.

Caminhão a hidrogênio

Além do Cursor X, a FPT Industrial revelou o conceito de um caminhão elétrico alimentado por célula de combustível a hidrogênio. Entre as vantagens dessa tecnologia estão a autonomia (800 km), a durabilidade (1 milhão de km ou 20 mil horas), peso reduzido (70% mais leve que um sistema elétrico com baterias) e recarregamento rápido, segundo informações da empresa.

A FPT Industrial informa ainda que o enchimento dos tanques de hidrogênio demora cerca de 20 minutos. Um modelo similar a bateria precisaria de duas horas, mesmo em sistema de carregamento rápido.

Outra vantagem do veículo elétrico movido a célula a combustível é ser mais "limpo" que um elétrico convencional. A grande diferença é que o sistema não requer reciclagem no fim da vida útil das baterias.

O protótipo tem motor elétrico com o equivalente a 540 cv, quatro tanques de hidrogênio, feitos de fibra de carbono (para 2 735 litros), módulo de célula de combustível (que transforma hidrogênio líquido em energia elétrica) e baterias de íons de lítio. A expectativa da empresa é que as primeiras unidades estejam prontas pra serem vendidas em cerca de seis anos.

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