A geleia nasceu como remédio. Os árabes misturavam frutas com mel e para curar os mais diversos males. Para alguns funcionava. Os cruzados levaram a receita para a Europa, onde a mistura de frutas com açúcar ganhou espaço à mesa. Mas essa história começa lá no século 1 – ou pelo menos é onde os escritos mais antigos localizam referências à receita. Na falta de açúcar (ou melhor: a ausência dele, pois seria descoberto muito depois), se usava mel. Na Idade Média a 'compota' já era termo recorrente na gastronomia rústica da época.

Segundo Virgínia Brandão, autora de ilustrativo texto sobre o tema, publicado no site Coreio Gourmand, "a primeira obra publicada que trata da arte e a maneira de fazer compotas e geleias data do século 16, e deve-se ao médico, astrólogo e praticante da alquimia Michel de Nostre-Dame, mais conhecido por Nostradamus (1503-1566). Interessado no estudo das plantas e seus efeitos na cura das doenças, ele passou uma temporada de dois anos na Itália (1547-1549), onde se dedicou a aprofundar seus conhecimentos em alquimia vegetal, descobrindo, em Milão, um boticário especializado nessa matéria, que o inicia na arte das compotas e geléias curativas.De volta à França, estudou e fez experiências com os doces de frutas medicamentosos e, em 1552, publicou o resultado de suas pesquisas com o título de "Traité des Fardements et des Confitures". Sua receita de geleia de marmelo valeu-lhe elogios do núncio papal de Avignon, pela doçura celestial".

Ainda segundo ela "nos séculos 17 e 18, os conhecimentos medicinais das compotas de frutas, assim como o uso do açúcar na alimentação, já estavam bem disseminados entre a população e a arte da doçaria. a confeitaria e a conservaria já haviam conquistado definitivamente seu lugar de celebração, distinção e sociabilidade na boa mesa europeia, como atestam os livros antigos de receitas com sua variedade de receitas de bolos, tortas e cremes. As variedades de geleias são cada vez mais numerosas. As descobertas de regiões remotas e a instalação de comércios em várias partes do mundo, permitem a introdução de frutos exóticos na Europa".

No Brasil, segundo Virginia Brandão "o gosto e os conhecimentos técnicos para fabricar conservas com frutos tropicais foram registrados também pelos primeiros cronistas da América portuguesa, sinal de que os conquistadores preservaram, no Novo Mundo, certos saberes e hábitos alimentares europeus. Aqui ocorreu a substituição dos produtos europeus por similares da colônia. Onde a portuguesa usava maçãs, peras e pêssegos para fazer suas conservas, passou a usar o mamão verde e o coco. As cerejas e ameixas podiam ter como similar a jabuticaba, enquanto as nozes e amêndoas, o amendoim. A estrutura culinária portuguesa foi mantida, mas os ingredientes foram trocados. Nas grandes fazendas ou nas minas coloniais, a culinária ganhava cara própria, variando de região para região de acordo com os produtos disponíveis e as características dos povos presentes como escravos, portugueses e índio".

Diferenças
Doce (fervido de açúcar com pedaços de frutos)
Um doce é um produto açucarado, criado por ferver açúcar com um fruto que tende a não se desfazer totalmente, dai doces tendem a ter pequenos pedaços de fruto. Exemplos comuns são o doce de tomate ou de cenoura.

Compota (puré de fruto açucarado)
As compotas são outro tipo de conserva, feitas com frutos e ou vegetais inteiros ou em pedaços, cozidos aos pedaços em açúcar e algum líquido, que pode ser água ou sumo de fruta que ao cozinhar tendem a desfazer-se e são consumidos como um puré. Exemplos comuns são compota de maça, abobora ou casca de laranja.

Geleia (sumo de fruto açucarado e gelificado)
A geleia é um tipo especial de conserva em que os frutos são cozidos com bastante líquido, normalmente em sumo de fruto, mas também pode ser com vinho ou água, e é claro com açúcar, que depois é coado e se torna num gel translúcido quando arrefece, dai o nome Geleia. Exemplos comuns são geleia de morango, geleia de limão, geleia de laranja ou geleia de framboesa.

Conserva (fruto ou pedaços de fruto preservados numa calda)
Uma conserva é quando se trata de preservar um fruto inteiro ou parcialmente partido, numa calda açucarada, isso pode envolver cozinhar ou não o fruto. Exemplos comuns são conserva de pera, conserva de pêssego ou conserva de ananás.

Marmelada/Goiabada (puré sólido do marmelo ou goiaba cozidos em açúcar)
A marmelada/Goiabada é um puré cozido com açúcar em partes iguais com o fruto com o objetivo de o conservar, normalmente tem uma consistência sólida, devido á marmelada e goiaba terem tanta pectina, mesmo que é possível se fazer versões mais moles, basta não cozinhar tanto, tornando-se mais numa compota de marmelo ou compota de goiaba. A marmelada  é criada a partir do marmelo e é uma especialidade da doçaria regional portuguesa (marmelada de Odivelas) e a goiabada é uma especialidade brasileira criada a partir da goiaba. (Fonte: iguaria.com)

GELEIA DE BERGAMOTA
Ingredientes
, 1 kg de bergamotas sem casca e sementes
, 3/4 de xícara de açúcar
, Suco de 1 limão
, Cravo

Preparo
w Descasque as bergamotas, retire os filamentos brancos do centro e dos gomos. Corte cada gomo e retire todas as sementes. w Coloque as bergamotas no processador aos poucos, até obter uma espécie de pasta – mas a ideia é manter pequenos pedaços. Você também pode fazer isso no liquidificador batendo aos poucos para manter a textura. w Coloque o creme de bergamota em uma panela, adicione o açúcar e o suco de limão. w Cozinhe com a panela destampada e em fogo médio por aproximadamente 40 minutos. De acordo com a acidez de cada fruta, pode haver necessidade de aumentar um pouco a quantidade de açúcar. Experimente e faça os ajustes. w A geleia deve ficar brilhosa e densa. Para testar o ponto correto, coloque um pouquinho em um prato e leve ao congelador. Assim você poderá ver rapidamente como ela ficará depois de fria. w Coloque a geleia ainda quente em vidros recém-esterilizados, feche os vidros e vire para baixo. Deixe-os assim até que a geleia esfrie totalmente.

GELEIA DE CEBOLA
Ingredientes
, 500 gramas de cebola fatiada
, 1½ colher (sopa) de sal
, 500 gramas de açúcar cristal
, 250 ml de vinagre
, 1 colher (chá) de cravo da índia

Preparo
wDisponha a cebola com o sal numa tigela de vidro e deixe descansar de 1 a 2 horas. wLave em água corrente até diminuir o sal e seque bem. wNuma panela, coloque o vinagre, o açúcar e um saquinho com os cravos. wDeixe ferver e cozinhe por cerca de 5 minutos em fogo baixo. wAdicione a cebola e aumente o fogo até ferver. Se formar espuma, retire com uma escumadeira. wAbaixe o fogo e deixe apurar por cerca de 1 hora e 30 minutos até a calda encorpar e a cebola ficar transparente. wRetire do fogo e envase em potes esterilizados.

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